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Mais poemas do Leonildo |
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Estes poemas foram escritos entre 1996 e 2000. Época na qual eu era graduando de Física Computacional na USP de São Carlos. Nesta época eu vivia uma fase de amores, paixão e pessimismo intenso.
Fazendo um poema.
Meu canto da alma.
Papel sobre a mesa.
Meu lápis na mão.
Meu lenço no bolso.
Falar de emoção.
Papel sob a mão.
Meu lápis escrevendo.
Meu sangue explodindo.
Mil lágrimas nos olhos.
Emoções saindo.
Poema na folha.
Meu lápis na mesa.
Meu lenço molhado.
Soluço no peito.
Sentimentos derramados.
Poema molhado.
Lápis quebrado.
Cadeira vazia.
Mil prantos no chão.
Próximo do fim
Teus olhos perderam o brilho.
Tua voz deixou de ser meiga e suave.
Talvez foi o tempo o grande culpado.
Talvez eu, o grande errante.
Errei no dia em que te criei.
Neste dia fui condenado a te perder.
Mesmo assim eu queria te materializar.
Fiz isso te elevando a um pedestal.
E hoje não posso te alcançar.
Você foi a minha obra prima.
Foi a mais ingrata de todas as obras.
A mais perfeita arma de tortura.
Deleita-se nos meus sofrimentos.
Sorri da minha dor.
Por trás deste teu rosto de anjo
mora um demônio.
Eu sei porque eu te pintei com ele.
Por trás deste ingênuo sorriso,
vive a traição.
Não a criei; ela já fazia parte da
matéria-prima.
Arrependo-me amargamente.
Jamais houvesse te criado.
Jamais houvesse dado vida a
imaginação.
Contudo foi marcante.
É uma obra ingrata, mas
é mais perfeita, a mais bela,
a mais surpreendente de todas.
Esquecer-te é impossível.
Porque por mais terrível que
sejas eu ainda sou louco
por ti.
O
tempo
Foi o tempo o senhor desse amor.
O grande definidor dos meus sentimentos.
O tempo é a razão de te amar.
O tempo me fez amar.
Mas o que eu poderia fazer para não amar ? Nada; pois quando chega o
louco amor,
nada pode o homem.
Meu amor o tempo te mostrou para mim.
Mostrou-me as sinuosidades do teu corpo.
E como colunas eram tuas.
E além de te mostrar, ainda me disse:
“Ela é a escolhida”.
Isso deixou-me louco de amor.
Fez-me delirar quando me mostrou o teu olhar.
Num único instante minha alma foi arrebatada por ti.
O tempo me fez amar.
Mas ele me enganou.
Ele me traiu.
Me mostrou você. Me iludiu a te amar.
E esqueceu de me dar você.
Hoje a única virtude que posso ver
está em te amar,
a suma felicidade é ter o que se não tem.
É beber da vida em sua própria fonte.
Degustar da vida; somente a teu lado.
Eu te amarei, mesmo que tenha que ir
contra o tempo.
Temer
Não temo as palavras quanto ao dizem,
quanto ao sentido próprio do que dizem.
Temo as palavras pelo que não disseram,
mas fizeram entender.
Temo o sentido oculto do texto.
Dele provém as muitas interpretações.
São essas interpretações que devem ser temidas.
São esses sentidos adversos que confundem o espírito.
Temo o autor desesperado que há por trás do texto.
O autor que está dizendo claramente a verdade,
através de muitas
mentiras.
Temo a verdade que há nas mentiras de um texto.
Sentidos adversos, mentiras adversas; verdade implícita.
São ambigüidades que geram a guerra,
que tornam as leis injustas.
Temo as palavras quanto ao sentido oculto do texto,
essas não aparecem porque são demoníacas.
Escondem porque podem destruir.
Encantos
A vida é feita de descobertas.
A vida é feita de partir.
Descobertas de encantos.
Encantos que tendem a partir.
Encantos do primeiro olhar.
Paixão que começa a arder.
Encantos de um olhar mais detalhado.
Paixão que queima pra valer.
Como a fogueira que apaga
ao findar da lenha.
Encantos que se extinguem
quando a paixão diminui.
Encantos do primeiro momento.
São passageiros e fenecem.
Encantos que morrem.
encantos que desencantam.
Por
um momento
Neste instante estais tão longe de mim,
mas eu não canso de te amar,
e nem quero te esquecer.
Talvez o mundo ache que te esqueci,
eu mesmo ás vezes acho que te esqueci, que te abandonei.
Mas daí, eu te vejo e sinto meu coração bater forte e cada vez mais
forte.
Eu sinto os meus olhos arder e uma dor indefinida começa lá no
fundo.
Percebo então que não te esqueci.
Eu bem sei, fim de quem ama é a solidão,
mas esse também é o fim de todo poeta.
Eu sei que amo, tenho dúvidas quanto ao
poeta.
Eu te amo intensamente na solidão.
Talvez se tivesse tido você por uma noite
apenas, hoje, não te amaria tanto assim.
Eu te perdi. Mas eu não perdi o amor.
E apesar de toda s sua aridez e desencanto
ele renasce a cada dia, a cada instante,
mais e mais intensamente.
Um
caduco
Eu sou um caduco num mundo poético.
Mas um caduco que tenta transforma em símbolos o mundo que o rodeia.
Que anda na contramão e atrapalha o trafego.
Escreve o mundo como quer, sem se prender a formas, a estilos, a
métrica, a rimas.
Um caduco que escreve o mundo como ele é.
Como ele acontece. Que não vê
métrica, que não vê rima, no mundo ao seu derredor.
Eu sou um caduco que vive num mundo poético.
Que vê com os olhos livres. Mas que
também pode sentir com os olhos tapados.
Um caduco que luta com as palavras,
na busca de fazê-las traduzir o mundo,
os sentimentos provindos do interior do ser,
e a vida como ela deve ser.
Que pode ser tomado por um louco,
por um qualquer.
Um caduco que não é regido
pelas leis do convencional.
Uma
pedra
Por que ele morreu na contramão atrapalhando o tráfego?
Por que era louco?
Por que atrapalhava o tráfego?
Pelas duas possibilidades.
Mas quem o definiu de louco?
Quem deu direção ao tráfego?
A sociedade, o mundo e todos o chamavam de louco.
Porque ele atrapalhava o tráfego do sistema,
da ideologia uniformizada, ele
questionava.
Era contra tudo e contra todos.
Andava na contramão.
Tinha a sua própria voz e a usava.
Seguia a si mesmo.
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego de um sistema,
de um estilo, de uma moda com o
qual não concordava.
Dizem que morreu acidentalmente.
Mas morreu inconformado com o mundo.
E até a sua morte ainda atrapalhou o tráfego.
causou um grande engarrafamento.
Foi assassinado na contramão onde atrapalhava o tráfego.
Mulher
Mulher, teus olhos me retém.
Tua boca tem um perfume que me atrai.
Teu sorriso me deslumbra e
teu rosto me eleva.
Mulher, esse teu jeito de peralta é a minha pura perdição.
Talvez eu caminhe para a morte certa,
mas morrerei feliz, feliz por estar em tuas mãos.
Mulher, que dominaste o meu coração.
Que monopolizaste todos os meus sonhos da noite.
Que tem minha vida, minha alma e minha devoção.
Ouça-me por um
momento.
Mulher, que diante de mim não ousa parar e dizer qualquer sim,
qualquer não.
Prefere passar e deixar me apenas aquele seu olhar,
assim meio indefinido, meio de
lado, diria de soslaio; olhar de mulher.
Mulher, que tens a minha alma e o meu amor.
Dai de beber a quem tem sede.
Pensando em você
Quando eu penso em você minha imaginação corre solta,
numa busca desesperada de dizer
algo e termino escrevendo um poema.
Quando penso em você eu só quero pensar em você.
É um momento onde eu me encontro só com você.
Neste instante eu posso te observar melhor,
te sentir ainda mais, ver coisas que não via.
Posso fazer um poema que é mais
você.
Quando eu penso em você,
num relance de amor tenho em minhas mãos,
uma flor, muitas flores para te oferecer.
Flores belas que a teu lado me inspiram poemas e mais poemas.
Um olhar singular, uma ocasião incomum, um poema diferente.
Findo o meu pensar escrevendo um.
Quando eu penso em você eu viajo
É uma viagem da qual não tenho desejo de retornar.
Para sempre ao teu lado. Para sempre a te sentir, a ter você.
Uma viagem que merece um poema.
Quando eu penso em você eu escrevo um poema.
O teu
sorriso
O teu sorriso pequena é coberto de um mistério inefável.
Ninguém e mais ninguém tem um sorriso assim, tão surpreendente,
tão emocionante.
O teu sorriso pequena
não é definido por uma palavra,
nem por muitas palavras.
Descrevê-lo totalmente é impossível.
Descrevê-lo parcialmente é loucura.
Pois alguém dirá: “Não ha mortal com um sorriso assim”.
Talvez ele, pequena, não percebeu este teu sorriso.
Sorriso que faz transparecer a tua alma, o teu ser.
Que trás colado nele o que você tem de mais íntimo.
Mas eu não quero que o mundo perceba este teu sorriso.
Não quero que ninguém o veja como eu vejo.
Prefiro que ele seja só meu,
que o teu sorriso seja só meu.
A
primeira vez
Na primeira vez em que te vi,
eu não te vi, eu te senti.
Te senti com os olhos.
Ali naquele momento, parte de mim ficou.
Ainda hoje uma parte de mim ainda está lá,
olhando para você, te
sentindo.
Mas você é um fruto proibido.
Você é a minha inteira perdição.
Pobre de mim, garoto sonhador,
que intenta versos assim para você
e um outro vem, como o ladrão a noite,
e te leva com ele, para longe de mim.
Mesmo assim vivendo daqueles remanescentes que sobraram de ti.
Daquelas migalhas que um dia caíram do teu corpo.
Dos momentos que tive para te olhar.
Mas tudo se torna vago quando só a mente trabalha.
Eu precisava te sentir por um momento a mais,
porém tudo acabou e o horizonte se aproxima cada vez mais.
A minha meta era ir além dele, mas
sem você tudo perde o sentido.
Homem
Aproxime mais quero te apresentar o homem.
Homem humano, demasiadamente humano.
Ser intelectual, sapiens em todos os níveis.
Evolução máxima da natureza.
Verdadeiro rei entre os animais.
Ser racional, justo e social.
Eis o homem que te apresento.
Eis o homem que ninguém conhece.
O homem que não existe.
O homem real, diante do homem.
está diante da sua própria definição.
Ele é humano, sobre-humano.
Tão ingrato, tão volúvel, tão dissimulado.
Covarde, corrupto e tendencioso.
É coberto por uma espessa crosta de individualidade.
É altamente perigoso.
Predador da própria espécie.
Predador de si mesmo.
Eis o homem que vês ao espelho.
Eis o homem que te apresento.
Eis o homem que todos somos.
Sapiência
Todo sábio conhece o gênero humano.
Conhece o homem tão dono de si.
O homem que hesita menos em ofender
aos que se fazem amar, do que aqueles
que se tornam temidos.
O homem que ao estender a sua mão
puxa todo o seu braço.
Todo sábio conhece esse homem.
Ele é comum, ele é qualquer homem.
Todo sábio é esse homem.
Contra todo homem, contra todo sábio,
há apenas a sapiência.
A sabedoria que diz e que garante:
“Muito mais seguro é ser temido que amado.”
Quem se faz amado, perde o controle de si,
perde o respeito dos outros,
perde a sua liberdade perde o mundo.
Torna-se vulnerável.
O homem é mais ousado,
é mais livre e mais destemido diante de quem se faz amar,
de quem lhe sorri, de quem estende
sua mão para ele.
Se és temido, tem o respeito de todos.
O medo que se infunde é alimentado pelo temor do castigo,
que é sentimento sempre presente,
que jamais abandona o homem.
Todo sábio faz se temer,
é respeitado e conhece os limites de sua
liberdade,
ama a todos como acha que devem ser amados,
e se faz temido por todos por segurança.
Excesso
Faz-se a vida de excesso.
Desfaz-se a vida em excesso.
De excesso tudo ao redor se faz.
Cada movimento, cada momento.
Todo o homem.
Excesso há na felicidade.
Excesso há no amor.
Desde o não querer amar nada,
até o amar muito.
Excesso há em não amar
Há excesso no sofrer.
Dor que se excede em doer.
Amor que se excede em amar.
Vida que se excede em viver.
Solidão que se excede em durar.
Tudo se faz de excesso.
Tudo se desfaz em excesso.
Excesso que se excede em exceder.
Sinta-me tocar-te
Sinta-me tocar-te com todo o calor da paixão,
com todo o furor do desejo que transborda,
com toda a malícia e pecado de dois amantes.
Perceba meus dedos roçando seu rosto suavemente.
Tocá-lo como quem certifica-se de uma realidade.
De uma realidade dentro de um sonho.
Minhas mão a deslizarem por entre os seus cabelos,
como uma serpente que se esgueira por entre os cipós
de uma floresta.
Sinta-me tocando os seus ouvidos.
Tocando-os majestosamente.
Te provocando arrepios.
Puxar-te para mim numa ânsia incontida de amar loucamente.
Meus lábios roçando os teus, num átimo de tempo inesgotável.
Mordê-los como quem testa a sua flexibilidade,
sugá-lo como quem quer chegar a sua essência.
Sinta este beijo apaixonado,
como se fosse o último de uma vida,
de uma paixão que se concretiza enfim.
Sinta este beijo pecaminoso.
Tão ardente quanto as chamas do inferno;
tão desesperado quanto um inocente condenado a morte.
Sinta-me tocar o teu corpo,
cada vez mais apaixonado por ti,
cada vez te desejando mais ardentemente,
cada vez mais próximo do
fim.
Por
que ?
Por que ainda olhas para mim ?
Para ver se há alguém desesperado por ti ?
Para que este que te ama ajoelhe e implore pelo teu amor?
Não, não mais alimente o desnutrido amor que ainda resta.
Não tenhas compaixão deste que se desfalece.
Não mais deixe para ele o perfume do teu sorriso
e nem o aroma do corpo.
Deixai os que morrem em paz.
Não mais aumente a tortura dos momentos
de vida restante.
Não mais aumente a paixão que ainda queima.
Não dê esperanças senão podes dar seu amor.
Mas sim, despreze e ignore.
Passe de largo e nada fale.
Dê um motivo.
Um único motivo para te esquecer.
Uma única razão para te odiar.
Devolva a paz que roubaste um dia.
Destrua nele o que ainda resta de ti .
Por favor, tome a faca e me devolva paz .
Mate-me, neste instante.
Cuidado com os poetas
Te advirto, sejas tu quem quer que fores.
Oh tu, que desejas ler os poetas,
protegei seus corações, alma e mente.
Eles são como o leão que rugem. Como a serpente
que se esgueira e como o ar entram em ti.
Entram com os seus sentimentos, com suas emoções,
com seus dogmas e com sua vida
Entram para ficar.
Governo do mundo protegei a humanidade dos poetas.
Eles são manipuladores de palavras.
Dominadores de mente.
Manda prender os poetas, eles ameaçam o poder.
Suas palavras são ervas daninhas.
Sua voz corta mais que uma espada de dois gumes.
Pai, protegei tuas filhas dos poetas.
Eles são estupradores de mente,
ladrões de corações e seqüestradores de alma.
Atacam com metáforas, anáforas e adjetivos.
Virgem, protegei teu corpo dos poetas,
senão eles o profanarão com palavras.
Irão desbravá-lo com a poesia.
Farão de ti algo impossível de imaginar.
Cuidado, muito cuidado com os poetas
e com suas poesias.
Eles não são convencionais.
Eles mexem com as palavras.
Crepúsculo
Vejo-te nua no crepúsculo da tarde,
onde o teu corpo está a raiar
ainda mais forte que o sol,
ainda mais exuberante que os
lírios da montanha na primavera.
Está despida de toda a máscara,
como um dia foste concebida pela natureza.
Nua como nenhum homem ousou te perceber.
Bela como nenhum humano ousou te imaginar.
Vejo-te ainda mais musa,
mais amada, mais imortal.
Sonhos e deleites em estar contigo.
Desejar-te ainda mais que o violento amor.
Tocar-te com toda a malícia da carne.
Sugar toda a essência que emana de ti.
Sentir todo o teu ser.
Beijar-te por inteira e
te amar para sempre,
como nenhum homem ainda ousou te amar.
Ser por um momento o mais feliz de todos
e morrer pela manhã para
não viver as lembranças.
Vejo-te acompanhando o sol que se finda.
No auge da velhice, finda o crepúsculo da tarde.
Diante de olhos apaixonados
e como um leão esfomeado,
chega a noite.
Ainda relutante e inconformado
assisto a tua imagem
desfazer-se no vértice do horizonte.
Existe.
Existe um desejo ardente,
um sonho de cada noite em estar contigo
e beijar tua boca com um beijo eterno
e morder os teu lábios com fortes grunhidos
e tocar o teu corpo divinamente.
Existe o querer ser parte de ti,
ser um pouco da tua alma, do teu olhar,
um pouco do teu sorriso.
Dividir os segredos mais íntimos,
a vida, a morte e o amor.
Existe o tato que ousa sentir
o calor que emana do teu corpo,
o cheiro de tua vida ingênua,
o gosto do beijo no teu rosto.
Há uma paixão que queima ,
lágrimas que desbotam um
rosto sem forma
e mãos que suam ao escrever.
Há um amor que espera por ti.