Ensinar não é transferir conhecimento
| |
Síntese e resumo do texto de Paulo Freire
Capítulo 2 – Ensinar não é transferir conhecimento - Síntese
· Saber que ensinar não é transferir conhecimento mas criar as possibilidade para a sua própria produção ou a sua construção (...).
· Pensar certo é uma postura exigente para evitar os simplismos, as facilidades, as incoerências grosseiras, e acima de tudo ser humilde Sem rigorosidade metódica não há pensar certo.
· Ensinar exige consciência do inacabado – Onde há vida, há inacabamento, mas só o ser humano tomou consciência disso.
· Suporte - tempo necessário para aprender as coisas para não depender mais dos adultos, porém o homem fez o suporte virar mundo e a vida existência, na medida que se faz consciente e transformador e não somente preenchido por conteúdos.
· Existência envolve linguagem, cultura e comunicação.
· Ser humano - ético, capaz de intervir no mundo e decidir.
· Só o ser que se tornou ético pode romper com a ética.
· Existir implica assumir o direito e o dever de optar, de ter uma prática formadora e isso também traz a esperança.
· Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado – (...) sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele (...). Não posso explicar minha presença no mundo como resultado apenas de operações alheias a mim.
· Conscientização do mundo para intervir nele é natural ao ser que se sabe inacabado – curiosidade produz conhecimento mas já é também conhecimento.
· O ser humano se torna educável quando consciente de sua inconclusão.
· Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando – (...) o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros.(...)
· (...) desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão (...).
· O professor que desrespeita a curiosidade do aluno, seu gosto estético, assim como o professor que minimiza o aluno transgride a ética – professor autoritário enraíza a eticidade.
· (...) Saber que devo respeito à autonomia e à identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente com este saber.
· Ensinar exige bom senso – O exercício do bom senso, com o qual só temos o que ganhar, se faz no corpo da curiosidade (...) para ser crítico.
· O respeito do educando passa por considerar o saber que ele traz.
· Quando me torno rigoroso na minha prática de conhecer tanto mais, porque crítico, respeito devo guardar pelo saber ingênuo a ser superado pelo saber produzido através do exercício da curiosidade epistemológica.
· Virtude da coerência: esforço para diminuir a distância discurso-prática.
· O professor não escapa ao juízo que dele fazem os alunos por isso é importante que seja um exemplo e exija condições para exercer seus deveres: dar aulas e realizar sua tarefa docente.
· Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educando
· (...) A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética (...).
· Deve-se ter humildade para revelar o desconhecimento ao respeitar a curiosidade do aluno.
· Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar nossa atividade docente em puro ‘bico’, e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de tias e de tios.
· Ensinar exige apreensão da realidade – aprender para transformar a realidade
· Aprender significa construir e não meramente repetir a lição dada.
· A prática educativa é política e não neutra.
· O professor deve mostrar sua postura mas respeitar a do aluno.
· Ensinar exige alegria e esperança – a prática educativa deve ser feita com alegria, o que não significa necessariamente que os alunos a tenham, mas que o professor tenha esperança de proporcioná-lo.
· A desesperança é distorção da esperança e temos que lutar contra ela. A inexorabilidade do futuro é a negação da História.
· A realidade não precisa ser necessariamente esta, podemos lutar para mudá-la , ela não é inexorável nem determinada, se ela fosse assim não existira opção, liberdade nem ética.
· Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível- O futuro como problema e a História como possibilidade.
· Papel no mundo: não só constatar o que ocorre, mas intervir, ser sujeito.
· (...) Constato não para me adaptar mas para mudar (...).
· Impossibilidade de estudar por estudar.
· As resistências são manhas necessárias à sobrevivência dos oprimidos.
· A rebeldia deve se alongar a uma postura revolucionária que nos engajam no processo radical de transformação do mundo.
· Não se trata de impor à população oprimida que se rebele, mas que perceba que sua realidade é injusta porém não é destino certo ou vontade de Deus, ela pode ser mudada.
· Não posso proibir que os oprimidos votem em candidatos reacionários, mas posso adverti-los da contradição desse ato que ajuda a preservar o status quo.
· Não posso nas relações político-pedagógicas com os grupos populares desconsiderar seu saber de experiência feito. A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra.
· Não posso me converter ao saber ingênuo dos grupos populares, muito menos impor meu saber como o verdadeiro.
· (...) faz parte do poder ideológico dominante a inculcação nos dominados da responsabilidade por sua situação (...). A alfabetização só ganha sentido quando extrojeta a culpa indevida (...) a alfabetização deve voltar para a expulsão do opressor de dentro do oprimido e transforma-a em autonomia, não esquecendo o ensino da escrita e leitura.
· Ensinar exige curiosidade – Nenhuma curiosidade se sustenta eticamente no exercício da negação da outra curiosidade (...).
· Sem curiosidade não aprendo nem ensino, no máximo memorizo.
· Abrir-se à curiosidade não é abolir explicações ou narrações, mas ter postura dialógica, aberta, sua aula é um desafio.
· O exercício da curiosidade a faz mais criticamente curiosa (...).
Capítulo 2 – Ensinar não é transferir conhecimento - Resumo
Neste capítulo, Freire (2003) ressalta a necessidade dos educadores criarem as possibilidades para a produção ou construção do conhecimento pelos alunos(as), num processo em que o professor e o aluno não se reduzem à condição de objeto um do outro. Insiste que ...ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção (FREIRE, 2003, p. 47), e que o conhecimento precisa ser vivido e testemunhado pelo agente pedagógico.
Esse raciocínio existe porque somos seres humanos e, como tal, temos consciência que somos inacabados: seria a inconclusão existencial de todo ser humano (FREIRE, 2003, p. 50). É esta consciência que nos motiva a pesquisar, conhecer e mudar o que está condicionado, mas não determinado (FREIRE, 2003, p.53). Passa-se assim, a ser sujeito e não apenas objeto da história, pois não se deve ver situações como fatalidades e sim estímulo para mudá-las.
Todos devem ser respeitados pela sua autonomia, por isso uma auto-avaliação dos alunos seria um bom recurso utilizado dentro da prática pedagógica, além do cuidado com o espaço físico usado nesta. Freire é enfático ao dizer que o respeito à autonomia e à dignidade de cada indivíduo é um imperativo e não um favor que se pode ou não conceder uns aos outros. Deixa claro que a transgressão da eticidade deve ser entendida como uma ruptura com a decência, uma transgressão à natureza humana, uma imoralidade inconcebível (FREIRE, 2003, p. 59-60).
Para chegar ao conhecimento, educadores e educandos precisam de estímulos que despertem a curiosidade e consequentemente a busca. Mas a curiosidade de um não pode inibir a do outro, devem ser complementares. E, com isso, vão se criando saberes provisórios como uma bola de neve.
O educador, além de obter conteúdos programáticos para desenvolver suas aulas, deve buscar didáticas que cansem e instiguem seus ouvintes, mas este cansaço deve ser ocasionado pela tentativa de acompanhar o raciocínio e não pelo desinteresse de conteúdo.
O bom senso do professor, diz Freire, para sermos coerentes, diminuindo a distância entre o discurso e a prática(FREIRE, 2003, p.61). Ele é quem pautará se a sua autoridade na sala de aula não é autoritarismo e também deixa claro a ele que há algo que precisa ser sabido frente a algum problema.
Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa aos direitos dos educandos e exige também, a apreensão da realidade (FREIRE, 2003, p.66).
Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível, pois a história deve ser vista como uma possibilidade e não uma determinação. Para mudarmos, devemos ser esperançosos, ou seja, ter esperança de que podemos ensinar e produzir junto com os nossos alunos para resistir aos obstáculos a nossa alegria. Mas para cobrar e lutar ideologicamente por mudanças e respeito profissional, o educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância.
Precisa mostrar e demonstrar esta esperança e espírito de revolução. Em nossa área de atuação, notamos muitas vezes este descaso, por parte dos outros docentes, do aluno e até mesmo por nossos colegas de profissão, que ainda não percebem a importância da Educação Física no ambiente escolar e para a formação dos alunos(as). É importante lutar e insistir em mudanças e revoluções dentro de nossa área.
O educador não deve inibir ou dificultar a curiosidade dos alunos, muito pelo contrário, deve estimula-la, pois dessa forma desenvolverá a sua própria curiosidade. E ela é fundamental para evocarmos nossa imaginação, intuição, capacidade de comparar, transformar e transcender.