|
Consciência: no mundo material e espiritual |
Autor: Leonildo Correa - Instituto OCW Br@sil
Certamente, entre Deus, um espírito (por exemplo, um anjo) e o homem, apesar de possuírem uma essência comum (Energia, Consciência, Pensamento), há uma grande diferença hierárquica entre eles. Ilustrativamente, podemos pensar em uma hierarquia piramidal.
O Poderoso Deus está no topo da pirâmide. É único, absoluto em poder e perfeição. Deus é o Criador de tudo, de todas as coisas, logo, é a fonte da qual emana toda Energia Consciente, todo conhecimento e sabedoria. Deus não é apenas uma Consciência, mas a fonte de toda consciência. Basta lembrar que a consciência, a centelha divina no homem, o pensamento humano, é um sopro do Poderoso Deus de Abraão.
Um espírito está no meio da pirâmide. São seres comuns do mundo da energia (Entidades, anjos, demônios). Tem poderes, porém, estão sujeitos às regras e ordens superiores. São Energia Consciente, porém, não possuem o mesmo grau de perfeição ou de poder do Poderoso Deus. Além disso, são seres altamente controlados, podendo fazer, só e somente só, aquilo que foi estabelecido.
Na base da pirâmide está o homem. Um ser material, feito do pó, que possui apenas uma centelha divina, uma centelha de Energia Consciente (o sopro de Deus) girando em sua consciência. Consciência que, no caso humano, é apenas um mecanismo orgânico capaz de movimentar a centelha divina. Essa faísca de Energia Consciente é o pensamento humano.
Em termos de perfeição, o homem é um ser híbrido. Um corpo material, pó do planeta, somado a uma faísca de Energia Consciente.
Em termos de poder de ação, no mundo tridimensional, o homem recebeu a dádiva do livre-arbítrio. Não é um ser controlado ou dominado pelas forças do mundo espiritual. Pode escolher entre o bem e o mal. Certamente, paga o preço dessa escolha, contudo, pode escolher.
A definição de consciência, quando transposta de um mundo para outro, necessita de correção. Isso porque no mundo dos espíritos a consciência é um ser, enquanto no mundo dos homens é um mecanismo do ser. Logo, há uma definição geral, aplicada no mundo dos espíritos, e uma definição particular, utilizada no mundo dos homens. O elemento comum a ambas é a centelha divina (o sopro de Deus) que torna o homem imagem e semelhança do seu Criador. Uma centelha do mundo dos espíritos presa nesta dimensão, presa no corpo material, no corpo humano, girando na consciência humana.
Portanto, quando o referencial é a centelha divina, mesmo estando no mundo dos homens, aplica-se a definição do mundo dos espíritos. Quando o referencial for o mecanismo humano, que movimenta a centelha divina, aplica-se a definição específica do mundo dos homens.
A definição geral é: “Consciência é a capacidade de perceber a própria existência, distinguindo-se do ambiente, assim como captar, analisar e criar informações, saberes e conhecimentos. Logo, é a capacidade de conhecer e escolher entre o bem e o mal.” Essa é a definição geral, válida, inclusive, no mundo dos espíritos. É uma definição que se aplica à própria constituição dos seres que habitam tal dimensão. Seres que são consciência na forma de energia ou energia consciente. Consciência na forma de energia, ou energia consciente, é um pensamento livre de quaisquer mecanismos materiais, fluindo, como um organismo, no espaço e no tempo. Nesse caso, fluindo no mundo da energia.
Citei a “capacidade de conhecer e escolher entre o bem e o mal” por causa do Gênesis, capítulo 3, versículo 4-5 que diz: “A serpente disse à mulher: ‘Certamente vocês não morrerão! Realmente, Deus sabe que no dia em que vocês a comerem seus olhos se abrirão e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.’”
E também, por causa do versículo 22, desse mesmo capítulo, que diz: “Deus disse: “O homem tornou-se como um de nós no conhecimento do bem e do mal. Agora ele deve ser impedido de estender sua mão e também tomar da Árvore de Vida. Ele (pode) comê-la e viver para sempre!”
Ambos os versículos evidenciam que os humanos e os seres que habitam o mundo da energia, incluindo Deus, tem a mesma capacidade para conhecer o bem e o mal. Caso contrário, Deus não diria que “O homem tornou-se como um de nós no conhecimento do bem e do mal”, ou seja, o homem se tornou como Deus na capacidade de conhecer. E a capacidade de conhecer é executada, ou movimentada, pela consciência.
Enquanto um espírito é energia consciente, um ser na forma de energia, com a capacidade de conhecer e escolher; o homem é um ser material que tem um mecanismo que movimenta uma centelha de energia consciente (o sopro de Deus), centelha que lhe dá a capacidade de conhecer e escolher. A centelha divina, nos homens, é o pensamento. O homem tem pensamento, enquanto Deus é pensamento, é Energia Consciente.
Energia com consciência é uma energia que tem a capacidade de perceber a si mesma como um ser separado do ambiente, ver e interagir com a própria existência. Além disso, tem capacidade de captar, analisar e criar informações, saberes e conhecimentos. Logo, é uma energia capaz de conhecer e escolher entre o bem e o mal.. Uma energia capaz de aprender, desenvolver, crescer e se manifestar.
Quando um pensamento consegue fluir livremente, no espaço e no tempo, fluir no mundo da energia, quando consegue existir, independentemente de uma forma material, independentemente do ambiente, quando consegue ter autonomia, percepção e controle sobre si mesmo e sobre o meio, ele se tornou um ser na forma de energia, uma consciência na forma de energia. Um ser capaz de perceber a si mesmo, capaz de captar, analisar e criar informações, saberes e conhecimentos. Capaz de conhecer e escolher entre o bem e o mal.
Já a definição de consciência no mundo dos homens leva em consideração o mecanismo orgânico, ou seja, considera o mecanismo material, a máquina cerebral que movimenta a centelha/energia divina (o sopro de Deus).
Esse mecanismo humano é um sistema. Logo, falamos em sistema-consciência. É um sistema que movimenta uma energia semi-consciente, ou seja, uma centelha da Energia Consciente. Portanto, é um sistema capaz de perceber a própria existência, distinguindo-se do ambiente, assim como é capaz de captar, analisar e criar informações, saberes e conhecimentos.
Logo, é um sistema capaz de conhecer e escolher entre o bem e o mal. Além disso, o sistema-consciência humano pode gerar novas informações, saberes ou conhecimentos, ou então, emitir, após tal análise, uma sentença, uma decisão que deverá ser executada. Uma sentença que deverá ser transformada em ação pelo indivíduo.
Os seres do mundo da energia não necessitam desse mecanismo orgânico, desse mecanismo material, para existir, perceber a si mesmo ou conhecer o bem e o mal. Eles não necessitam de um sistema orgânico de um sistema-consciência para captar e analisar informações, saberes e conhecimentos. Isso porque esses seres já são uma consciência na forma de energia, ou então, uma energia que tem consciência, uma energia que tem capacidade de aprendizagem, tem autonomia para fluir livremente. Essa energia que tem consciência, capacidade de aprendizagem e autonomia para fluir livremente é o pensamento.
Neste contexto, a frase de Descartes expressa uma verdade que se aplica tanto ao nosso mundo humano, quanto ao mundo dos espíritos. “Penso, logo existo.” Pode ser escrita como “Tenho consciência, logo existo”, indicando que a existência, seja de um humano ou de um espírito, está ligada à energia consciente, ao pensamento. E existo porque tenho consciência, ou seja, é a consciência que percebe e define a própria existência. Em outras palavras, o homem existe porque tem pensamento, movimenta uma centelha de Energia Consciente que lhe dá percepção e autonomia. Deus existe porque é pensamento, porque é Energia Consciente.
Certamente, os pensamentos humanos são apenas uma centelha da Energia Consciente que constitui Deus. Deus é único, absoluto em poder e perfeição. É a fonte de toda Energia Consciente que flui no Universo.
Ilustrativamente, o sistema-consciência humano pode ser comparado a um juízo ou uma vara judicial. O juízo ou vara judicial, através do processo judicial, analisa provas, fatos, etc. O sistema-consciência, através de processos mentais (pensamentos), analisa informações e conhecimentos. A vara judicial emite uma sentença, uma decisão, que deve ser executada ou que reconhece um direito ou uma pretensão. A consciência também emite uma sentença que deve ser executada ou que forma uma nova informação, saber ou conhecimento.
Além disso, a consciência é constituída por vários subsistemas interligados, incluindo subconsciências específicas, processos mentais, memória, etc. Todos estes elementos interagem dentro do sistema-consciência, auxiliando, facilitando ou possibilitando os seus processos.
É válido ressaltar ainda que o sistema-consciência é um sistema que movimenta energias. Isso porque todos os processos mentais, realizados nesse sistema, são processos energéticos. A maior evidência disso é o fato das informações, saberes e conhecimentos, captados pelos sentidos humanos, serem transformados em energia para serem analisados no sistema-consciência.
Os subsistemas da consciência são consciências específicas que reúnem assuntos/temas específicos. Por exemplo, a consciência política trata de temas/questões relacionadas ao Estado, ao Governo e aos interesses da sociedade ou do agrupamento social. A consciência coletiva trata de temas/questões relacionadas com grupos pequenos e próximos do indivíduo e nos quais ele está inserido: família, amigos, Igreja, comunidade, etc.
Já a consciência social trata dos temas/questões relacionadas com a sociedade ou país no qual se vive. Na subconsciência social estão estacionados o direito positivo, os costumes, as instituições, etc. Enquanto a consciência política é uma consciência de formação dos institutos e das instituições, assim como de participação do cidadão nesta formação. A consciência social é local de consolidação e execução daquilo que foi formado.
Mas por que uma divisão por temas/assuntos? A resposta é simples: porque a consciência é um sistema analítico de informação, saberes e conhecimentos. E as informações, saberes e conhecimentos dividem-se em temas/assuntos. Mais do que isso, esses temas/assuntos são assimilados, ou construídos, pelo indivíduo, com o passar do tempo e ao longo de sua vida. Essa assimilação, ou construção, é acumulativa.
Em outras palavras, a consciência se desenvolve através da aquisição (assimilação ou construção) gradual de informações, saberes e conhecimentos. Essa aquisição é formatada, dentro da consciência, na forma de uma cebola, onde cada camada representa uma subconsciência. As camadas iniciais representam as subconsciências relacionadas com a família, a escola, etc… Camadas formadas pelas aprendizagens iniciais do indivíduo. Conforme o indivíduo cresce, aumenta a quantidade de informações, saberes e conhecimentos em sua consciência. Logo, novas camadas são formadas, surgindo, assim, as demais subconsciências.
Além disso, é válido assinalar que o desenvolvimento de cada uma dessas consciências específicas, e a consciência individual como um todo, depende das informações, saberes e conhecimentos que o indivíduo adquiri/possui. Sem informações, saberes e conhecimentos específicos as consciências específicas não se desenvolvem, ficam limitadas.
Certamente, informações, saberes e conhecimentos de determinada consciência, por exemplo, da consciência coletiva, são de domínio público e estão presentes em todos os grupos sociais. Porém, quando assimiladas e expressas por uma consciência individual, ela passa pelo filtro daquela consciência: valores, costumes, idéias, etc. Logo, todos os indivíduos possuem dados parecidos, mas não assimilam e nem expressam estes dados da mesma forma, construindo, assim, aquilo que se denomina conhecimento.
Já a consciência política necessita de informações e conhecimentos mais seletos, mais restritos, ou seja, depende de um nível mais alto de formação e saber. Coisa incomum para a maioria dos indivíduos. Contudo, todos os indivíduos possuem o mesmo potencial de desenvolvimento. Basta apenas acessarem as informações, os conhecimentos e os saberes que a consciência necessita para desenvolvê-la e expandi-la. Sem informação, saberes e conhecimentos a consciência não se desenvolve, fica inibida, restrita, limitada.
Em outras palavras, os espíritos são seres que tem forma de energia com consciência. Contudo, diferenciam-se de Deus quanto ao poder de ação e quanto ao grau de perfeição. Enquanto Deus é perfeição absoluta e detém o poder máximo para criar ou destruir, os demais espíritos não possuem o mesmo grau de perfeição e detêm poderes limitados, restritos. Assim, enquanto Deus pode fazer tudo, os espíritos, demais seres da quarta dimensão, podem fazer apenas aquilo que Deus lhes permite ou autoriza.