De olho nos Espiões do Governo
Agência Brasileira de Inteligência
No site da Abin está escrito: "A Inteligência em defesa da sociedade, do Estado democrático de direito e dos interesses nacionais." Contudo, a realidade é outra, pois o Estado, por meio de seus espiões, tem invadido, sistematicamente e ilicitamente, a privacidade dos cidadãos e tem monitorado os movimentos sociais, assim como aquelas pessoas que criticam e contestam o sistema. Há agentes do governo infiltrados em Universidades, no MST, no movimento dos Sem-teto, etc. Por isso resolvi investigar o governo e as organizações de espionagem, visando descobrir quem são, como atuam e como funcionam. Os dados abaixo constituem a primeira parte desta pesquisa.
Serviços de Inteligência
Um serviço de inteligência é um órgão que se ocupa em levantar informações. Geralmente são agências governamentais, embora existam casos de serviços de inteligência particulares (como foi o caso do brasileiro IPES). Quanto governamentais, os serviços de inteligência investigam possíveis ameaças ao Estado. Quando o serviço se vale de recursos ilegais para obter essas informações sua atividade é descrita como espionagem. A maioria dos serviços de inteligência (também chamados de serviços secretos) usa ou já usou de espionagem, contando com um certo grau de indulgência de seus respectivos governos.
Além de trabalhar na busca de informações (inteligência), os serviços também tentam evitar a ação de serviços de inteligência estrangeiros em seu país (contra-inteligência).
Apesar da espionagem ser praticada desde a antiguidade, a primeira rede de informações relativamente organizada foi montada durante o século XVI, durante o reinado de Elizabeth I de Inglaterra. O responsável pela rede de agentes era sir Francis Walsingham, que recrutou contato dentro e fora da Inglaterra, incluindo estadistas, diplomatas e artistas (entre eles o dramaturgo Cristopher Marlowe amigo de Shakespeare). Esse serviço entretanto foi uma iniciativa pessoal de Walsingham mais do que um orgão oficial. O primeiro serviço de inteligência institucional foi criado durante o reinado de Luís XIV de França.
Estima-se que o serviço de inteligência mais eficiente de todos os tempos seja o Secret Intelligence Service britânico, mais conhecido pelo seu antigo nome - MI6. O SIS tem um longo histórico de espionagem internacional, inclusive no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. O SIS se tornou conhecido através de livros de ficção, muitos deles escritos por pessoas que trabalharam com ou para o serviço (John Le Carré, Ian Fleming, etc).
A CIA também foi alvo de muitas produções, sobretudo cinematográficas. Este serviço de inteligência estadunidense foi criado em 1947. Antes disso, a espionagem era uma tarefa adicional do FBI.
O Mossad - serviço de inteligência israelense - também é conhecido por sua eficiência, principalmente em manter o anonimato. Os serviços do órgão foram utilizados ostensivamente na repressão não só aos grupos armados palestinos, mas também aos refugiados de Gaza e Cisjordânia em geral. desde antes da Guerra do Yom Kippur. Um agente do Mossad chamado Ira Levin ficou famoso por passar vários anos infiltrado no Estado Maior da Síria. Quando foi descoberto foi torturado e executado.
(Para uma lista completa veja Lista de serviços de inteligência do Brasil).
O primeiro serviço de inteligência brasileiro foi criado em 1956 por ordem do presidente Juscelino Kubitschek. Chamava-se Sfici (Serviço Federal de Informações e Contra-Informação) e funcionou até o golpe de 1964. Durante o regime militar foi substituído pelo Serviço Nacional de Informações que participou ativamente da repressão à esquerda e aos movimentos sociais.
O atual serviço de inteligência é a Agência Brasileira de Inteligência. Entre seus agentes figuram ainda vários nomes de ex-integrantes do SNI. A maior parte das ações da Abin parece estar relacionada à investigação de crimes políticos. A Abin já se envolveu em vários escândalos políticos, como o escândalo dos grampos do BNDES.
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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é o serviço de Inteligência civil do Brasil. A função principal da Abin é investigar ameaças reais e potenciais à sociedade e ao governo brasileiros e defender o estado democrático de lei, a soberania nacional e a eficácia do poder público. Foi criada por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1997.
A área de atuação da Abin não é clara, dando margem para que ela interfira em assuntos que, pela lógica, caberiam à Polícia Federal. Além disso a comissão de controle externo formada pelo Congresso para fiscalizá-la (Comissão de Acompanhamento de Ações de Inteligência da Casa) tem pouca autoridade sobre a agência. Ela é também vagamente fiscalizada por uma comissão do Poder Executivo, mas como a Abin também faz parte do Executivo, abre-se uma margem para que ela trabalhe para os interesses do governo no lugar do Estado.
Como a maior parte dos órgãos estatais os cargos da Abin são preenchidos através de concurso público. Entretanto, a renovação dos quadros de trabalho é lenta, e por isso ainda fazem parte da agência muitos ex-funcionários de seus antecessores (sendo que grande parte deles trabalhava para o SNI durante a ditadura militar).
A Abin é chefiada por um diretor geral que comanda os chefes das agências regionais. O diretor por sua vez responde ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI, ex-Casa Militar).
Durante o mandato de Fernando Henrique, a diretora da Abin foi a psicóloga Maria del Isola (ex-professora da Escola de Inteligência, na época do SNI) e o chefe do GSI foi o general Alberto Cardoso.
Atualmente (2005) o diretor da Abin é o ex-delegado da Polícia Civil Mauro Marcelo de Lima. O chefe atual do GSI é o general Jorge Félix.
A Agência Brasileira de Inteligência é a sucessora do SNI (Serviço Nacional de Informações).Durante a ditadura que governou dos anos 60 ao meio dos 80 no Brasil, o SNI através do seu departamento DOI-CODI foi responsável pela censura, tortura, assassinato e ações contra os membros dos movimentos estudantis e artísticos que desafiavam o governo, assim como investigar possíveis dissidentes políticos.
Supõe-se que o SNI foi uma agência-membro da Operação Condor, que visava manter e disseminar ditaduras de caráter anti-comunista na América Latina.
Originalmente, o SNI era uma agência civil sob o comando do general reformado Golbery do Couto e Silva.
A agência era a espinha dorsal do controle totalitário do regime. Embora houvesse uma polícia secreta no Brasil desde a era Vargas, a participação militar aumentou sua importância com a criação do SNI. Ele se desenvolveu a partir do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que Golbery tinha estabelecido para minar o governo anterior de João Goulart.
Na teoria, o SNI supervisionou e coordenou as agências de inteligência das três Forças Armadas, mas na prática as agências do serviço mantiveram sua autonomia. Cada agência controlava seu próprio departamento DOI-CODI.
O SNI fornecia informações detalhadas para qualquer um que trabalhasse na cúpula do governo ou que tivesse permissão para conduzir pesquisas nos arquivos do exército. Usando um sistema elaborado de informantes e escutas telefônicas, o SNI acumulava e analisava relatórios de muitas fontes.
Um estudo feito pelo cientista político David V. Fleischer e Robert Wesson sugere que havia em torno de cinqüenta mil pessoas empregadas no SNI durante o regime militar de 1964 a 1985. Além disso, os presidentes Médici e Figueiredo tinham sido diretores do SNI.
Alfred Stepan, um professor de ciência política na Universidade de Columbia, observa que o SNI diferia das agências similares em outros países. Em retrospecto, notou que ele tinha completo monopólio nas operações e no treinamento, com um diretor com status de ministro e representação em quase todas as facetas da vida pública. Oficiais de alto escalão ajudavam a assegurar as metas de segurança do SNI, se utilizando de suas posições no governo. Além disso, o SNI era completamente autônomo, dando-lhe um poder sem precedente.
De início, havia uma resistência à idéia do CIE. Em 1966 o presidente Castello Branco rejeitou a idéia de criar um serviço de inteligência do exército, porque enfraqueceria o Estado Maior.O ano seguinte, 1967, o novo ministro do exército, general Aurélio de Lyra Tavares, estabeleceu o CIE apesar das objeções do chefe do estado maior, general Orlando Geisel (não confundir com Ernesto Geisel).
No início de 1968, o CIE começou a explodir teatros, destruir livrarias, e seqüestrar pessoas. Quando guerrilheiros começaram a resistir no fim de 1968, o CIE expandiu-se agrupando cerca de 200 oficiais e começou uma contra-ofensiva, eliminando a maior parte da esquerda armada nos três anos seguintes.
O presidente Geisel esforçou-se para controlar o sistema de informações do CIE que, em represália, procurou desestabilizar seu governo e fazer do ministro do exército Coelho da Frota o próximo presidente. O CIE empreendeu também uma guerra de influências contra o general Golbery (já citado), o ministro da casa civil de Geisel, que quis fechar o CIE.
O SNI foi substituído pelo presidente Fernando Collor por um órgão bem menor, chamado DI (Departamento de Inteligência). O chefe do SNI era um desafeto de Collor, e ele extinguiu o Serviço no seu primeiro dia de governo. Após o impeachment de Collor, Itamar Franco assumiu a presidência e reestruturou o DI, rebatizando-o de Subsecretaria de Inteligência (SSI).
Hoje, a Abin é uma agência razoavelmente desconhecida que atravessou muitas mudanças de nomes a fim de limpar a reputação do SNI, e que trabalha com inteligência interna e em conjunto com as forças armadas. A Agência também protege fórmulas e patentes de produtos nacionais contra espionagem industrial, se requisitada.
Entre 2004 e 2005 duas investigações da Abin indicaram provável envolvimento das FARC colombianas: uma em que revolucionários estariam infiltrados em um acampamento do MST e outra em que estariam negociando com traficantes do Rio de Janeiro (as escutas telefônicas dessa segunda operação obtiveram as provas que levaram o cantor Belo a julgamento e posterior prisão, mas esse não era seu objetivo inicial).
Supostamente, os resultados de uma antiga operação da Agência que vieram a público nesse ano ligariam as FARC a políticos de partidos rivais. Mas as provas foram consideradas insuficientes pela direção da Abin.
A Abin já foi implicada várias vezes em operações ilegais e escândalos políticos:
em 1999, duas agentes da Abin entrevistaram uma auditora do Ministério do Trabalho passando-se por funcionárias do Ministério da Fazenda. Elas queriam dados sobre a pesquisa da auditora sobre o uso de amianto em indústrias.
também em 1999 descobriu-se que a Abin espionava, entre outras organizações, os ministérios públicos, membros do judiciário e algumas ONGs.
O general Alberto Cardoso usou agentes da Abin para monitorar um grupo de sem-terra que pretendia invadir a fazenda de um filho de Fernando Henrique Cardoso.
A Abin usou uma policial militar para tentar chantagear o ex-procurador da República Luiz Francisco de Souza.
A agência espionou uma reunião de governadores, entre os quais estava Itamar Franco. O episódio foi condenado pela Organização de Direitos Humanos do Brasil.
O ex-chefe de operações da Abin Gerci Firmino da Silva foi implicado no escândalo da privatização da Telebrás (o caso do grampo do BNDES). Ele teria descoberto as duas primeiras fitas incriminando Fernando Henrique através de uma ligação anônima, mas na verdade o telefonema foi feito de sua própria residência.
A Inteligência em defesa da sociedade, do Estado Democrático de Direito e dos interesses nacionais
Ministério do Silêncio, Lucas Figueiredo, editora Record
Textos da Biblioteca do Congresso norte-americano
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A Subsecretaria de Inteligência foi o serviço de inteligência do Brasil durante o mandato provisório do presidente Itamar Franco e parte do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1992-1999). Antes de ser reformulado pelo governo Itamar, o órgão chamava-se Departamento de Inteligência, e foi substituído depois pela Agência Brasileira de Inteligência.
Durante a gestão de Itamar Franco a SSI continuou subordinada à Secretaria de Assuntos Estratégicos, como era no governo Collor. No governo FHC a SSI foi subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (órgão militar).
As primeiras mudanças de Itamar Franco no Departamento de Inteligência foram a nomeação do coronel Wilson Romão para a direção do mesmo, e do Almirante Mário César Flores para a chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Romão foi amigo de infância de Itamar e tinha uma experiência, ainda que não muito ativa, com trabalho de inteligência: ele tinha chefiado a agência do SNI em Goiânia, estrategicamente pouco relevante. O almirante Flores foi o elo de Itamar com as Forças Armadas durante a transição pós-impeachment. Nunca fora funcionário de um serviço de inteligência, mas teve uma experiência informal na área quando foi adido militar na Argentina e coletou informações para o Exército.
Numa nova mudança, o Departamento de Inteligência foi promovido a Subsecretaria de Inteligência em novembro de 1992.
A gestão de Romão na SSI não foi eficiente. O diretor da Subsecretaria enviou mais de uma vez relatórios com informações defasadas, inclusive algumas que já haviam sido noticiadas nos jornais. Apesar da qualidade, esses documentos chegavam ao gabinete do presidente carimbados como confidenciais. Wilson Romão acabou sendo afastado não por sua incompetência, mas por contratar irregularmente ex-funcionários do extinto Serviço Nacional de Informações. Não chegou a completar quatro meses no cargo, mas antes do mandato de Itamar Franco acabar ele passou por vários outros cargos.
Mas mesmo após a saída do coronel Romão, a SSI continuou a se dedicar a atividades estranhas. Numa certa época a Subsecretaria chegou a produzir tabelas com a variação de preços de produtos de supermercado. As tabelas indicavam a inflação dos produtos da cesta básica em várias capitais e eram redundantes em relação a similares produzidas por outros órgãos. Estes relatórios também eram registrado como confidenciais.
Romão foi substituído por Antônio Marcondes, que trabalhara no SNI durante grande parte do período da ditadura. O SSI ganhou espaço durante sua gestão. Os cursos da Escola de Inteligência que haviam sido cancelados por Collor foram reativados e a Subsecretaria passou a treinar pessoal da Receita Federal e do INSS para investigar casos de fraude. Por outro lado, foi durante a gestão Marcondes que a SSI quase entrou em colapso devido à crise de falta de funcionários chegar a seu limite.
Os serviços de inteligência pós-abertura ainda eram formados basicamente por pessoas que atuaram durante o regime militar. Por isso a linha de pensamento dos mesmos permanecia conservadora. Para um serviço criado nesses moldes era inadmissível a contratação de funcionários livre de qualquer triagem ideológica. Mas esse modus operandi era proibido pela Constituição de 1988, que exigia concurso público como critério principal para a contratação da maioria dos servidores.
A Subsecretaria resistiu à contratação por concurso por cinco anos, durante os quais não se contratou nenhum agente de campo ou analista de informações. Finalmente, em 1994, o concurso foi realizado. Os pré-requisitos para a inscrição eram curso superior completo e conhecimento de uma língua estrangeira. Os funcionários contratados dessa forma, entretanto, eram relegados à serviços menores no setor de análise de informação. Além disso, os concursados precisavam passar no mínimo nessa área antes de poderem tornar-se agentes de campo.
Este e outros acontecimentos deixavam claro que o serviço de inteligência mantinha as convicções autoritárias da época do regime. Outro evento que veio a confirmar esta postura foi um relatório produzido em 1994 (em plena corrida eleitoral) ligando o MST e indiretamente o Partido dos Trabalhadores ao treinamento de uma guerrilha rural. Um acampamento do movimento serviria de base para o treinamento dos sem-terra, que recebiam treinamento de estrangeiros e produziam armas de fogo caseiras. Alemães, nicaraguenses e cubanos, entre outros, estariam envolvidos. O relatório vazou para a imprensa e foi publicado numa manchete do jornal O Estado de São Paulo. Quase toda a informação contida no relatório era falsa. (Uma minoria dentro do MST veio mesmo a flertar com a idéia de guerrilha posteriormente, no que chegou a receber apoio das FARC, mas nunca chegaram às vias de fato).
A divulgação desse relatório foi um problema para a campanha do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, mas ao contrário do que se pode imaginar este não foi um golpe proposital da SSI - pelo menos não dela toda. O serviço de inteligência foi drasticamente reduzido após a eleição de Fernando Collor, que tinha uma rixa com sua direção. E agora a Subsecretaria esperava represálias semelhantes caso Lula se elegesse. O vazamento do relatório criou alvoroço na direção da SSI e da SAE.
Pouco antes do fim de seu mandato, Itamar Franco recebeu um projeto de lei formulado por veteranos da SSI. Eles pediam através dele algumas mudanças que deixariam a Subsecretaria mais parecida com o SNI, incluindo departamentos vigiando internamente os ministérios civis. O presidente não encaminhou o projeto de lei ao Congresso, e a lei de inteligência não voltou a ser alterada até o governo FHC.
Logo no início do mandato de Fernando Henrique, o controle da SSI foi alterado. O órgão deixou de ser controlado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos e passou para a Secretaria Geral da Presidência. A mudança foi a pedido do próprio diretor indicado para a SAE, o ex-diplomata Ronaldo Sardenberg. O chefe da Secretaria Geral da Presidência durante essa fase foi Eduardo Jorge, que junto do general Fernando Cardoso (não confundir com o presidente Fernando Henrique Cardoso) começaram a preparar o projeto para a futura Agência Brasileira de Inteligência. Os dois se desentendiam constantemente sobre como o novo serviço deveria ser e o general acabou por pedir demissão em março de 1996.
O comando da Subsecretaria foi novamente transferido, agora para a Casa Militar (renomeada posteriormente como Gabinete de Segurança Institucional), dirigido pelo general Alberto Mendes Cardoso.
Em 1999 a SSI deu lugar a Abin.
Êxitos da SSI na contra-espionagem
Um agente da inteligência chinesa foi descoberto subornando um funcionário do Ministério da Saúde.
Dois agentes da inteligência norte-coreana descobertos transmitindo informações sobre o mercado de soja via rádio.
Agente da inteligência estadunidense descoberto espionando o projeto do submarino nuclear
Ministério do Silêncio, Lucas Figueiredo, editora Record
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Esta lista enumera os serviços de inteligência que funcionam ou funcionaram no Brasil.
República Nova
Serviço Federal de Informações e Contra-Informação 1956-1964
Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais 1962-1964 (orgão particular que acumulava funções de inteligência. Reunia informações para um grupo de empresas privadas)
Regime Militar
Nova República
Serviço Nacional de Informações 1985-1990 (continuou funcionando durante todo o governo Sarney)
Departamento de Inteligência 1990-1992
Subsecretaria de Inteligência 1992-1999
Agência Brasileira de Inteligência 1999-hoje
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O Centro de Informações do Exército foi um serviço de inteligência do governo brasileiro durante o regime militar. Foi o órgão a propor a maior quantidade de censuras a material considerado subversivo pela ditadura e responsável por grande parte da estrutura da máquina de repressão do governo, tendo torturado dezenas de cidadãos brasileiros.
Antes mesmo de se tornar presidente, o general Costa e Silva clamava a necessidade de se criar um serviço secreto mais agressivo que o Serviço Nacional de Informações. Queria que o novo órgão não se restringisse a coleta de informação, mas tivesse também privilégios de polícia. O novo serviço coexistiria com o SNI e seria estruturado a partir do antigo Serviço de Informações do Exército chamado de 2ª Seção.
Os anseios do general Costa e Silva foram barrados pelo Presidente Castello Branco que, ao contrário de Silva que fazia parte da linha dura da ditadura, fazia parte do grupo mais brando de militares apelidado de Sorbonne.
A criação do CIE foi barrada enquanto durou o governo de Castello Branco. Mas quando Costa e Silva assumiu a presidência por pressão da linha dura a criação do serviço foi sua prioridade.
Dois meses depois da posse de Costa e Silva o CIE foi inaugurado em julho de 1967.
O presidente nomeou para primeiro diretor do CIE o coronel Adyr Fiúza de Castro, um conhecido radical. Fiúza era favorável ao uso de tortura, sobretudo psicológica. Quando de sua nomeação já ocupava um cargo de um serviço de inteligência do Exército; o D2 onde era encarregado de monitorar "subversivos".
A especialidade do CIE nesse começo de função era infiltrar agentes em movimentos estudantis, sindicais ou qualquer outro de fundo liberal. Os agentes eram treinados para parecerem apoiar legitimamente a esquerda e suas verdadeiras intenções eram conhecidas por pouquíssimas pessoas dentro das Forças Armadas. Por conta disso, várias vezes sargentos a serviço do CIE eram presos pela polícia e liberados só depois de revelar uma senha combinada com os superiores.
Além de agir usando seu próprio pessoal, o CIE também patrocinou um grupo radical de direita conhecido como Grupo Secreto. Estes terroristas plantavam bombas em lugares considerados focos da esquerda, geralmente teatros e faculdades. O CIE lhes fornecia os explosivos e assessoria estratégica. Quando um integrante do Grupo era preso o CIE, o SNI ou um membro da própria polícia providenciava sua soltura.
As prerrogativas do CIE foram reforçadas com a subida de Emílio Garrastazu Médici a presidência. Durante o governo Costa e Silva, Médici dirigia o SNI, o outro braço do serviço secreto da ditadura. Médici era ainda mais radical que Costa e Silva. Foi dele que partiu a iniciativa para a instituição do AI-5 que Costa e Silva só ratificou pressionado por ele.
Foi nesse época que o CIE, agora sob o comando do coronel Milton Tavares de Souza, se tornou o orgão que mais propôs censuras à televisão e imprensa escrita. Um dos jornais que vigiou ativamente foi o Opinião que contava com colaboradores como Fernando Henrique Cardoso e Millôr Fernandes. A intenção original do CIE era de que o jornal fosse não só censurado mas proibido de circular. No entanto não conseguiu que isso fosse feito.
Durante o mandato de Médici o CIE conseguiu se infiltrar numa das maiores guerrilhas anti-regime, a Ação Popular através do ex-militante Gilberto Prata. Prata foi levado a colaborar por chantagem; caso não voltasse a fazer parte da AP e suprisse o CIE de informações, ele sua esposa e sua irmã mais nova seriam presos. Também foi pago em troca das informações.
O CIE trocava informações com a CIA constantemente. Foi assim que ficou sabendo do treinamento que o Grupo Primavera estava fazendo em Cuba. O Grupo Primavera - guerrilha que ficou conhecida depois como Grupo da Ilha - recebeu um treinamento paramilitar básico do governo cubano para em seguida voltar para o Brasil para tentar iniciar um foco de revolução. Infelizmente para eles, um dos instrutores era um informante da CIA que informou ao Centro de Informações do Exército a data em que os guerrilheiros pretendiam voltar ao Brasil. A maioria dos rebeldes do Grupo Primavera foi morta assim que chegou ao Brasil. Um dos poucos sobreviventes foi o atualmente deputado José Dirceu.
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O Departamento de Inteligência foi o serviço de inteligência do Brasil no período que vai da posse ao impeachment do presidente Fernando Collor e por parte do mandato provisório de Itamar Franco.
No primeiro dia de seu mandato, Collor dissolveu o Serviço Nacional de Informações para criar seu próprio serviço. Apesar do longo histórico de ações ilegais do SNI o que o levou a ser extinto foi a inimizade entre Collor e seu diretor, o general Ivan de Souza Mendes. O general havia se recusado a receber Collor quando ainda era candidato, porque no dia anterior ele fizera várias críticas e acusações contra o então presidente José Sarney. Depois desse episódio, passou a fazer parte da agenda de Collor o fechamento do Serviço.
Para substituí-lo criou-se o Departamento de Inteligência, que se diferenciava de seu antecessor principalmente por dois fatores: sua dimensão reduzida e o fato de ser controlado por uma repartição civil, a Secretaria de Assuntos Estratégicos.
O Departamento de Inteligência foi criado através de uma medida provisória, a MP nº 150. Entre outras coisas ela definia que :
O SNI estava extinto
Seus dados e equipamentos passavam para o patrimônio do Departamento
O novo serviço seria um departamento. É um status baixo na hierarquia das repartições e portanto seu chefe não teria status de ministro.
O Departamento ficava subordinado à SAE
Tanto o chefe do DI quanto o da SAE deveriam ser civis, assim como os chefes das agências regionais.
A MP nº150 foi escrita sob os auspícios de Pedro Paulo Leoni de Ramos, amigo íntimo de Collor e primeiro chefe da SAE.
Junto do novo serviço de inteligência veio a promessa de Collor de que ele não investigaria cidadãos brasileiros, sendo dedicado À vigilância exterior através de inteligência e contra-inteligência, mas na verdade continuou a monitorar movimentos sociais, partidos políticos e instituições nacionais. Além disso o serviço secreto continuava sem o necessário controle de uma comissão externa. O novo serviço continuava mal fiscalizado e ciente disso. A intromissão em assuntos nacionais recebeu respaldo legal através da Ordem de Serviço nº 143, que dizia que o Departamento de Inteligência tinha o direito de investigar ações que pudessem se manifestar "no processo político; no processo social; na atividade econômica; nas atividades científicas e tecnológicas". Estas diretrizes davam ao órgão o direito de investigar praticamente qualquer pessoa.
Grande parte dos problemas do DI vinha da falta de renovação dos quadros de funcionários. Apesar do Serviço Nacional de Informações ter sido extinto, os agentes do Departamento vinham todos do SNI. O primeiro diretor do Departamento de Inteligência era de fato um civil, Flávio Duarte. Mas apesar de sua graduação em jornalismo passou quase toda sua vida profissional trabalhando no SNI.
Em 1991, Collor enviou ao congresso um projeto de lei que constituía uma comissão mista para o controle do DI, formada por deputados e senadores. Porém, antes que o projeto passasse, o presidente propôs um outro que, na contramão do anterior, sugeria um serviço de inteligência fortalecido, ligado diretamente à presidência e fiscalizado pelo próprio executivo. Nenhum dos dois projetos foi aprovado, em grande parte por causa do congestionamento burocrático que o congresso começou a sofrer em 1992, resultado das crescentes denúncias de corrupção contra o governo Collor.
O Departamento de inteligência mostrou um comportamento passivo diante dessas mesmas denúncias, uma atitude bastante incomum na inteligência brasileira. No mesmo tipo de situação, os serviços de inteligência anteriores costumavam assumir ferozmente o lado do presidente ou agir contra seu governo (como o SNI fez contra o ministro Golbery). Mas o DI se limitou a assistir a derrocada de Fernando Collor. O escritor Lucas Figueiredo presume que essa atitude foi uma espécie de revanchismo contra o presidente por ele ter desmanchado o SNI, ter negligenciado o Departamento de Inteligência e pela preferência que vinha mostrando pelo CIE (o serviço de inteligência do Exército).
Quando Itamar Franco assumiu a presidência indicou o almirante Mário César Flores para a chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos (Leoni Ramos já havia caído antes de Collor, também por denúncias de corrupção) e lhe encomendou um projeto de lei reformulando o DI. Só recebeu o projeto no final de seu mandato, mas preferiu não remetê-lo ao Congresso. Porém a falta de um projeto não o impediu de, em 1992, elevar o DI a Subsecretaria de Inteligência.
Ministério do Silêncio, Lucas Figueiredo, Editora Record
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O Serviço Federal de Informações e Contra-informação (Sfici) foi o primeiro serviço de inteligência do Brasil. Apesar de existir no papel desde o mandato de Eurico Gaspar Dutra, o serviço só foi montado de fato em 1956, dez anos depois, por ordem do presidente Juscelino Kubitschek.
O serviço fora criado para alimentar com dados sobre "ideologias extremistas" o Conselho de Segurança Nacional. Juscelino o instituiu pressionado pelo governo estadunidense (através de seu secretário de estado John Foster Dulles) e pelos militares (principalmente os diretores da Escola Superior de Guerra), ambos temendo a popularização do comunismo no país.
Durante seu período de existência (1956-1964) o Sfici ficou conhecido por sua paranóia em relação a quem podia ou não ser considerado inimigo do "estado democrático de direito". Vigiou sobretudo associações de esquerda, políticas ou não, como o PCB e movimentos grevistas. Também levantou dados sobre rivais políticos do presidente, como o político de direita Carlos Lacerda, que nutria uma certa animosidade contra Kubitsheck. Mesmo o então membro da UDN (partido de direita extinto pelo golpe de 1964) José Sarney chegou a ser tachado de comunista por um relatório do Sfici.
Como o Brasil ainda não tinha nenhuma experiência palpável com serviços de inteligência, uma equipe formada por quatro homens -- três militares e um delegado de polícia -- foi enviada para Washington, para um estágio patrocinado pelo governo norte-americano.
O grupo visitou várias vezes a sede do FBI e a agência local da CIA, onde foram instruídos sobre como coletar e armazenar informações. Em seguida voltaram ao Brasil acompanhados de um funcionário norte-americano para preparar as instalações do Sfici no Rio de Janeiro, que na época ainda era a capital federal.
O órgão contou inicialmente com cerca de quarenta funcionários divididos entre quatro seções: Exterior, Interior, Segurança Interna e Operações. Todos estes funcionários foram cedidos pelas Forças Armadas, apesar do Sfici ser considerado uma repartição civil.
Os agentes da Subseção de Operações trabalhavam num edifício diferente. Eles eram responsáveis pela "parte prática" do serviço, que era levantar informações através de vários métodos tais como aliciamento de informantes, campana (vigiar os suspeitos em pessoa), grampos telefônicos e roubo de correspondência.
A partir de 1959 o Sfici passou a investigar intensamente qualquer manifestação estudantil. O Partido Comunista Brasileiro continuava sendo vigiado, assim como os grandes sindicatos, mas na época o principal perigo vislumbrado pelo serviço de informações era a hipótese dos jovens se entusiasmarem com idéias revolucionárias. Nesse ano Fidel Castro e Ernesto Guevara conseguiram implantar o comunismo em Cuba, tornando-se figuras carismáticas em relação aos movimentos estudantis.
A atividade e influência do Sfici começaram a crescer exponencialmente a partir de 1961. Nesse ano o coronel ( e futuro general e ministro) Golbery do Couto e Silva assumiu um cargo no Conselho de Segurança Nacional que tinha entre outras prerrogativas a supervisão do Sfici. Golbery já havia atuado na área de inteligência durante a Segunda Guerra Mundial na qual atuara como oficial de informações. Apreciou essa experiência e, de volta ao Brasil, passou a estudar o assunto, tornando-se o maior teórico sobre serviços de inteligência do país.
A partir de 1959 o Sfici passou a investigar intensamente qualquer manifestação estudantil. O Partido Comunista Brasileiro continuava sendo vigiado, assim como os grandes sindicatos, mas na época o principal perigo vislumbrado pelo serviço de informações era a hipótese dos jovens se entusiasmarem com idéias revolucionárias. Nesse ano Fidel Castro e Ernesto Guevara conseguiram implantar o comunismo em Cuba, tornando-se figuras carismáticas em relação aos movimentos estudantis.
A atividade e influência do Sfici começaram a crescer exponencialmente a partir de 1961. Nesse ano o coronel ( e futuro general e ministro) Golbery do Couto e Silva assumiu um cargo no Conselho de Segurança Nacional que tinha entre outras prerrogativas a supervisão do Sfici. Golbery já havia atuado na área de inteligência durante a Segunda Guerra Mundial na qual atuara como oficial de informações. Apreciou essa experiência e, de volta ao Brasil, passou a estudar o assunto, tornando-se o maior teórico sobre serviços de inteligência do país.
Golbery organizou as redes de agentes por estado, aumentou seu contigente, criou novas agências regionais e organizou um curso de especialização para os agentes de campo. O aumento do pessoal e da estrutura do Sfici tornou necessária uma mudança de sede. Antes hospedados no edifício Inúbia, passou para um prédio da Avenida Presidente Vargas e, como no térreo do prédio funcionava um estabelecimento chamado Casa da Borracha, esse acabou se tornando o apelido do serviço.
Golbery colocou nos cargos de chefia do Sfici vários oficiais que eram antigos conhecidos. A Subseção de Operações, justamente a divisão responsável pelo serviço clandestino, ficou sob o comando do futuro presidente da república João Baptista Figueiredo.
A renúncia do presidente Jânio Quadros naquele mesmo ano perturbou o serviço secreto, já que assumiria em seu lugar o vice João Goulart. Goulart era mal visto pelos militares desde quando fora ministro do trabalho no mandato legal de Getúlio Vargas. Na época, Golbery foi um dos militares que assinou o Manifesto dos Coronéis, pedindo que Jango fosse exonerado. A situação em que o vice-presidente se encontrava no dia da renúncia, em viagem pela China comunista, só serviu para excitar ainda mais os ânimos. Imediatamente após a renúncia de Jânio Quadros, Golbery ordenou que os telefones dos aliados de Goulart fossem grampeados. Também ordenou a produção de falsos panfletos revolucionários, cuja autoria seria atribuída ao PCB. Com isso o Sfici pretendia criar um clima de instabilidade para justificar um golpe de estado. O coronel em pessoa escreveu em seguida o manifesto que desaconselhava a posse de Jango, embora nele só aparecessem as assinaturas dos ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Estes movimentos todos falharam. Houve uma reação popular em prol de João Goulart, organizada por seu cunhado Leonel Brizola. João Goulart tomou posse não como presidente, mas como primeiro-ministro, graças à uma emenda aprovada pelo congresso durante sua ausência. Ele demitiu Golbery, Figueiredo e outros rivais, substituindo-os por oficiais confiáveis. O Sfici reestruturado foi de grande utilidade para Jango, tendo descoberto várias conspirações contra o planalto; algumas eram militares e outras civis. Pessoas influentes foram implicadas como o político Carlos Lacerda e o adido militar dos EUA Vernon Walters.
Ainda assim, a capacidade do Sfici era muito limitada contra o crescente número de membros das Forças Armadas e do congresso desgostosos com os rumos do governo Goulart. A situação piorou quando o presidente nomeou para a chefia do gabinete militar o general Argemiro de Assis Brasil, um oficial pouco competente.
Na iminência do golpe de 1964, Assis Brasil ignorou inúmeros avisos do Sfici sobre a articulação dos golpistas. No dia 31 de março, durante o golpe, o Sfici foi invadido. Não houve resistência, em grande parte porque alguns membros recém-engajados aos quadros do serviço eram agentes golpistas infiltrados.
Depois da instauração do regime militar, o Sfici foi substituído pelo Serviço Nacional de Informações.
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O Serviço Nacional de Informações, foi criado pela lei nº 4.341 em 13 de Junho de 1964. A atuação do SNI era supervisionar e coordenar as atividades de informações e contra-informações no Brasil e exterior, em função de sua criação, foram absorvidos o Serviço Federal de Informações e Contra-Informações (SFICI-1958) e a Junta Coordenadora de Informações (JCI-1959).
O General Golbery do Couto e Silva, foi o idealizador do SNI quando trabalhava no Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, IPES, os fichários com as informações das principais lideranças políticas, sindicais e empresariais do país foram absorvidos pelo serviço.
A estrutura do SNI era composta pelo chefe, que tinha status de ministro, o poder de ação e decisão era imenso, de suas apreciações poderiam emanar atitudes do chefe de Estado das mais diversas, desde mandar investigar um suspeito, até expurgá-lo do país. O Serviço Nacional de Informações chegou a contar com a ficha de mais de 70% da população do Brasil. O Serviço Nacional de Informações se assemelha muito ao fictício Ministério do Amor, do romance 1984, de George Orwell.
Coordenava as atividades como um todo, absorvendo as informações provindas de todos os escritórios e agências, catalogando-as, processando-as, separando informes de informações, e enviando aos escritórios competentes para posterior utilização, ou arquivamento.
Agiam de maneira similar à agência central, porém com informações à nível regional. Como a coleta de informações era descentralizada, seu processamento também o era, desta forma, com o controle pulverizado, uns controlavam aos outros mais eficientemente.
Haviam escritórios espalhados por todo o país, para coletar aos informes e informações e remetê-los às instâncias superiores, coordenavam ao trabalho dos agentes.
Seguindo ao mesmo sistema adotado pela CIA americana, ainda haviam várias secretarias compondo ao SNI, muitas paralelas aos escritórios e agências para evitar a perda de informações e aumentar a vigilância mútua, minimizando desta forma às infiltrações de possíveis agentes inimigos.
Era responsável pela burocracia, contas à pagar, folhas de pagamento de salários, distribuição e prestações de contas, não atuava em vigilâncias, nem tomava decisões que não fossem meramente administrativas.
Vigiava atividades partidárias em todo o país, aos parlamentares e suas famílias; observava aos procedimentos e andamento de processos de vigilância, ao mesmo tempo vigiava aos próprios agentes contra possíveis traições.
Vigiava as transações das empresas privadas, bancos, transações comerciais dentro e fora do país, governamentais, ou não; controlava os dados da secretaria administrativa, pagamentos, despesas, e prestações de contas de toda ordem, vigiava a entrada e saída de moeda estrangeira no país.
Sempre com agentes infiltrados, acompanhava de perto a subversão e subversivos, doutrinava aos agentes cachorros quanto à coleta de informações, angariava voluntários em troca de favores para agir em nome da segurança nacional; vigiava de muito perto a guerrilha, aos clandestinos e todos aqueles que eram vistos como opositores do regime militar; vigiava às demais secretarias quanto ao pensamento ideológico de seus componentes; tinha agentes voluntários infiltrados em praticamente todas as escolas e universidades do Brasil.
Tinha a função de vigiar as atividades das igrejas, em especial a católica; manipulava a imprensa através da criação de condições para a inserção de propaganda institucional em todos os meios de comunicação; infiltrava agentes em sindicatos, escolas, universidades, repartições públicas, entidades de classe, entre outros segmentos da sociedade; tinha liberdade de ação para criar sistemas de manipulação das massas com veiculação e criação de factóides e notícias de contra-informação; suas atividades no campo da manipulação do pensamento visavam a desestabilização psicológica causando pânico e desconfianças em prováveis subversivos infiltrados na máquina ditatorial; usavam do experimentalismo para aumentar o alcance de sua ação dentro do terreno adversário, criando sabotagens e condições para que o inimigo interno se desunisse e criasse entre si os justiçamentos.
As assessorias eram desvinculadas das secretarias, porém as vigiavam, e por elas eram vigiadas, os métodos utilizados eram bastante simples, como pelo próprio sistema havia a desconfiança de uns contra os outros, a agência central plantava agentes em praticamente todas as repartições, coletando informações das atividades múltiplas.
Eram órgãos de informações das entidades subordinadas ou vinculadas aos ministérios, como empresas estatais e autarquias, tinham agentes para a coleta de dados e remessa ao órgão central, visando um maior controle.
Eram órgãos centrais de informações em um ministério civil, neles também eram coordenadas ações de coletas de dados, para envio à agência central.
Juntamente ao SNI, foi criada em 1971 a Escola Nacional de Informações (ESNI), com estagiários oriundos das mais diversas classes sociais, para facilitar o controle ideológico, os melhores alunos eram enviados ao exterior, principalmente aos Estados Unidos e Panamá, onde era mantida uma escola similar pela CIA.
Foram chefes do SNI: Golbery do Couto e Silva; Emílio Garrastazu Médici; João Baptista de Figueiredo; Carlos Alberto da Fontoura; Octávio Aguiar de Medeiros; Newton Cruz, entre outros.
Algumas das atividades do SNI eram os grampos telefônicos, censura postal e investigações, contatos com a CIA , além da Operação condor, muitos dos documentos coletados, desapareceram depois do desmonte do serviço. Texto completo da Lei nº 4.341 em 13 de Junho de 1964
Com a criação da AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA-ABIN, foi extinto o SNI, mas seus agentes foram relocados para a nova repartição.