Os sistemas gerenciais e suas imagens
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Seminário de Sociologia - Turma de 2000
Professor Mourão
Fordismo: a organização como máquina
Toyotismo: a organização como organismo
۩ A Organização como Máquina
A mecanização do trabalho trouxe uma grande transformação aos métodos de produção, não só em termos quantitativos e qualitativos, mas também uma mudança estrutural, que consistiu na superação do conceito de organização como associações humanas objetivando a realização predeterminada de algo, para que estas se transformassem em fins em si mesmas. Por exemplo: o objetivo da Empresa X, montadora de automóveis, deixa de ser montar automóveis, para ser a busca do lucro máximo que essa atividade pode lhe trazer.
O homem passa então a ser usado como acessório da máquina, devendo assim, obedecer o ritmo daquela, com horários rígidos, mecanização da atividade e controle rígido.
Esse processo trouxe sérias conseqüências não só à produtividade, que aumentou enormemente, mas à toda sociedade em si.
Mesmo dentro das empresas ela não restringiu-se à linha de produção, chegando também à administração, em forma de burocratização: divisão rígida de tarefas, supervisão hierárquica e regras e regulamentos detalhados.
Os preceitos gerais da Teoria Clássica (também chamada Administração Científica) são:
- Trabalhadores são motivados pela recompensa monetária
- Divisão de trabalho detalhada
- Hierarquia de autoridade, com definição clara de responsabilidade
Dentro dela, o engenheiro Frederick Taylor desenvolveu uma série de princípios, objetivando separar o trabalho mental do trabalho físico, que foram reunidos numa “Teoria da Motivação”. Com ela, procurava-se explorar ao máximo o trabalho humano, buscando o limite da fadiga.
Ford conseguiu reduzir drasticamente os custos e melhorar radicalmente a qualidade, numa época em que o volume de produção era baixo e aumentos quantitativos não reduziam esses custos.
O conceito chave da produção em massa era na verdade, a intercambiabilidade de partes, que reduziu o ciclo de tarefas radicalmente, sendo melhorado pela linha contínua. Reduziu-se o esforço humano e facilitou-se a operação e manutenção dos carros.
O trabalhador na linha de montagem tinha apenas uma tarefa, o que tendia a uma desabilitação total do mesmo. As decisões era centralizadas e seu sistema completamente inflexível. Outras conseqüências negativas eram : imobilidade e lentidão para associar mudanças sócio-culturais e econômicas, que têm ocorrido cada vez mais rápido; alienação o trabalhador que resulta numa falta geral de autocontrole; não-interação com o meio-ambiente, limitação da capacidade humana, individualidade combinada à competitividade, que podem trazer conseqüências negativas à produtividade.
Ainda hoje são estudadas as causa do declínio do sistema fordista. Algumas são facilmente identificáveis como a crise do petróleo, e os defeitos do próprio sistema. Mas quais foram as condições externas que fizeram com que esses problemas viessem à tona? Alguns deles são: a falta de políticas industriais melhores, o declínio na qualidade de educação, o fenômeno do capitalismo de papel e os movimentos sociais em geral.
A evolução da produção trouxe a percepção de que era preciso enfocar o lado humano da produção. Teorias como a dos Sistemas, a da Contingência e a Estruturalista tratam de novas idéias, que acabaram por priorizar diferentes dimensões dentro da produção, como a compreensão das relações organização-meio, sobrevivência como objetivo central, importância da inovação e acima de tudo, busca de harmonia entre estratégia, estrutura, tecnologia e dimensões humanas. Surgem ainda as idéias de Recursos Humanos e a Teoria das Relações Sociais, que davam um novo enfoque ao trabalhador em si e seu papel na produção enquanto ser humano, não máquina.
Coloca-se em análise a dicotomia competição - colaboração. A primeira, focalizando a sobrevivência do mais apto, na verdade significa uma “ameaça à gerenciabilidade do mundo social” (de acordo com o próprio autor), enquanto a segunda proporciona uma cooperação em busca de resultados melhores, uma associação de esforços e interesses que traz melhores resultados à todos.
Sua principal característica é a flexibilização. Ao analisar o sistema fordista e criar seu próprio, os japoneses tiveram de superar vários obstáculos para poderem competir em larga escala, como por exemplo: seu mercado doméstico, sua mão de obra que não se adaptaria ao esquema taylorista, a busca por tecnologia e a dificuldade de exportar.
Eles desenvolveram assim uma série de inovações técnicas, que acabaram por facilitar a modificação de características de seus produtos e conseqüentemente, facilitavam o reparo de defeitos.
Em conseqüência de uma demissão me massa após a Segunda Guerra, desenvolveu-se em suas fábricas uma particularidade também na relação capital – trabalho, acabando por tornar-se característica do sistema japonês: emprego vitalício, promoções por critérios de antigüidade e participação nos lucros. A partir desta mão-de-obra diferenciada foram realizadas diversas tarefas.
A primeira foi reunir vários trabalhadores em torno de um só líder, dando-lhes responsabilidades sobre diversas tarefas; então passam a ser mercados diversos encontros para discussão de melhorias no processo de produção.
Os operários são habilitados para agir em caso de detecção de problemas na linha de montagem, fazendo com que a quantidade de defeitos caísse bastante. O sistema Just-in-Time reduz os estoques, obrigando cada membro a antecipar os problemas e evitar que eles ocorram.
O sistema tem por pontos fortes captar as necessidades do mercado consumidor e adaptar-se às mudanças tecnológicas. O sistema de vendas cria com os fornecedores uma relação de longo termo, numa cadeia produtiva, funcional e ágil.
Porém os mesmos problemas que atacaram o sistema fordista-taylorista está atacando o sistema toyotista. Mas é difícil prever suas conseqüências, pois o sistema é bastante particular do meio em que foi implantado; é difícil separá-las do “quadro mais amplo que as gerou e as sustenta”.
O modo de produção é então compararado com o feudalismo, em que a base da pirâmide, constituída por milhares de pequenas empresas e empregando a maior parte da mão-de-obra existente, faz o papel do servo, continuamente submetido a pressões para redução de custos, trabalhando com margens de lucro insuficientes e praticamente impedido de abandonar seu clã.
E graves problemas têm surgido, sendo o mais estrutural queda relativa do padrão de devoção dos empregados às empresas, conseqüência talvez de mudanças culturais e comportamentais, surgindo uma nova atitude e expectativa em relação à vida e ao trabalho.
Uma visão mais ampla sustenta que o toyotismo seria nada mais que uma evolução do fordismo, e que esse sistema estaria exposto às mesmas contradições de seu antecessor.
O conjunto de contradições internas seria potencializado pelas mudanças sociais, enfraquecendo a flexibilidade e adaptabilidade do sistema, seus dois trunfos competitivos em relação ao sistema fordista.
۩ A Organização como Cérebro
Sumariamente, aqui o processo de produção é visto como um processo de informação, com capacidade de auto-regulação, onde os membros tem um acesso muito maior à totalidade do processo produtivo, que entre outras conseqüências, tem: descentralização das decisões, dando mais autonomia aos componentes do processo e inserindo mais o operário ( o que dá muito mais flexibilidade ao sistema, ao aumentar a conexão e capacidade dos diversos setores) e aumenta a capacidade de inovação .
E é por causa dessa habilidade de se auto renovar é que o sistema é visto como um cérebro, em que cada neurônio é conectado aos outros, tendo funções específicas e com grande possibilidade de intercambiabilidade. Além disso, o grau de conexão entre os diversos centros de controle é altíssimo, gerando uma habilidade extra em movimentos complicados e a descentralização de controle e execução gera o que o autor chama de intersubstituição e independência simultânea.
O s procedimentos são bastantes simples e as especificações, mínimas.
۩ O Volvismo
Em linhas gerais, a indústria sueca é caracterizada endogenamente altíssimo grau de informatização e automação e exogenamente pela forte presença dos sindicatos trabalhistas e mão-de-obra altamente qualificada. No caso das fábricas da Volvo, é ainda marcada por um alto grau de experimentalismo, sem o qual talvez não fosse possível ter introduzido tantas mudanças.
O Volvismo surgiu como resultado de várias inovações conjuntamente postas em prática, com a particularidade da participação constante dos trabalhadores. A exigências do mercado competitivo forjaram melhorias, mas o que fez a diferença no caso da Volvo foi claramente características particulares da sociedade sueca. Além dos sindicatos fortes, o alto grau de automação das fábricas no país faz com que desde há tempos os jovens rejeitem serem vistos como “acessórios das máquinas”, como no taylorismo o seriam.
Isso gerou mudanças estruturais: nessa linha, o operário tem um papel completamente diferente daquele que tem no fordismo, e ainda mais importante que no toyotismo: aqui é ele quem dita o ritmo das máquinas, conhece todas as etapas da produção, é constantemente reciclado e participa, através do sindicatos, de decisões no processo de montagem da planta da fábrica ( o que o compromete ainda mais com o sucesso de novos projetos).
۩ Conclusão
As tendências apontadas pelo autor para o sistemas do futuro são: estruturas mais simples, menos níveis hierárquicos e alta flexibilização . Mais do que melhorias na produtividade e melhor gerenciamento, essa nova visão gera novas estruturas do trabalho, com conseqüências já citadas, como: maior inserção do trabalhador na totalidade do processo, caracterização da vida social do operário não mais num meio excessivamente competitivo, e sim de cooperação, entre outras.
Desde séculos atrás as sociedades são caracterizadas pelos seus modos de produção, e estudamos o intercâmbio entre as particularidades de cada civilização, as nuances sociais e ecológicas, étnicas etc., que faziam com que elas plantassem de uma forma ou de outra, numa época do ano determinada, e assim os modos de produção evoluíam e se modificavam ao longo do tempo.
O conjunto dessas mudanças, quando generalizado e aperfeiçoado se refletem em mudanças na sociedade, que são, ao mesmo tempo, resultado e condição da renovação dos sistemas de produção. Ou seja, uma nova forma de se encarar o trabalhador é uma nova forma de se encarar o homem como elemento social e vice versa, restando- nos refletir o quão profundas e definitivas são essas inovações.
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