A doutrina Monroe: o controle militar ianque sobre a América Latina

Resumo da palestra proferida por Victoria Casabona, socióloga argentina, na Adufrgs (Porto Alegre) em 17/10/2002.

Introdução.

O suporte militar necessário para a aplicação dos planos econômicos norte-americanos contemplados principalmente na globalização neoliberal e na ALCA, considera a chamada Guerra de Baixa Intensidade (GBI), que compreende intervencionismo encoberto e formas não tradicionais de coerção, entre outras formas.

Os Estados Unidos têm responsabilidade intelectual, de assessoria, treinamento e apoio no genocídio latino-americano e atualmente opera com forças de deslocamento rápido, task forces e outras tarefas de repressão interna em todos os países da América Latina.

A expressão das políticas antidrogas, em termos de guerra e segurança nacional, foi desenvolvida a partir da administração Reagan (1980-1988). Na administração Bush (1989) começou a ser política comum exportar essa doutrina para o sul, promovendo o compromisso das forças militares dos países produtores e de trânsito de droga (mas não dos países consumidores) em uma causa comum antinarcótica.

Colômbia e a Guerra de Baixa Intensidade.

"Colômbia esteve entre os primeiros países a adotar essa ideologia, aperfeiçoando-a como teoria da narco-guerrilha, para justificar operações contra-insurgentes na forma de treinamento antinarcóticos e de ajuda militar", assinala Martin Jelsma, pesquisador do Transnational Institute de Amsterdã. Hoje, o paramilitarismo assassina ao menos 50 pessoas por dia na Colômbia e até os EUA têm reconhecido que as guerrilhas não podem ser acusadas de traficar drogas. A descoberta de um enorme carregamento de drogas em um avião da Força Aérea Colombiana, na Florida (EUA) é o melhor exemplo da cumplicidade entre militares colombianos e forças de segurança dos EUA. Já desde a década de 1980, a CIA financiava os contras nicaragüenses trocando droga por armas.

Uma notícia da redação Visur (São Paulo, agosto de 2002) indica que enquanto os governos do Brasil, Panamá, Venezuela e Equador não apóiam a participação de manobras militares conjuntas ao redor da Colômbia, que o governo de Bush filho quer organizar com o presidente Uribe, ocorreria um deslocamento da força de elite de intervenção desde o Caribe e o Cone Sul.

Em 31 de julho de 2002, uma matéria de Roberto Lopes (Jornal do Brasil), assinala que Chile começou a estudar a operação de tropas para combater a guerrilha colombiana. Trinta coronéis e tenentes da Academia de Guerra chilena estudam realizar operações em território colombiano, na expectativa que outros quatro países se juntem, entre eles Argentina, Uruguai e Peru.

A tríplice fronteira.

Os EUA estão exigindo maior compromisso da Argentina na luta contra o terrorismo, a partir dos atentados contra a embaixada de Israel e a AMIA em Buenos Aires. Entretanto, é estranho que apesar das investigações exaustivas do Mosad israeli e a CIA norte-americana, não tem sido achado culpados e a troco exigem, sem provas concretas, que seja culpado o Irã.

Argentina tem se convertido no aríete de Washington para apressar os compromissos militares no Cone Sul, centrando as operações na Tríplice Fronteira, onde acordos têm sido feitos a pretexto de combater o contrabando, o tráfico de droga e a "delinqüência política". Lembrando que sob esse último termo, foram assassinados milhares de latino-americanos nas épocas das ditaduras do Cone Sul, é fácil imaginar qual o destino desses "acordos de segurança", pactuados de costas a povos e parlamentos.

Guerra de Baixa Intensidade no Cone Sul.

É elemento da Guerra de Baixa Intensidade o Acordo da Tríplice Fronteira, para estabelecer um controle externo sobre os nossos países, sob instituições com a CIA, a DEA e o FBI. As operações compreendem o ingresso de tropas estrangeiras, a assessoria sem autorização do Congresso Nacional e a transformação secreta de organismos policiais ou militares em forças de elite.

Do ponto de vista militar, afirma o pesquisador holandês Martin Jelsma, a visão antinarcótica é o único veículo disponível para intensificar uma colaboração interfronteiras, embora outros temas têm surgido, como o terrorismo internacional e as imigrações ilegais.

A rede Eco (Uruguai, 16 de agosto de 2002) relatou a reunião de militares latino-americanos em Montevidéu para receber instruções de especialistas norte-americanos em um seminário organizado pelo Comando Sul dos EUA, no qual participaram militares da Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai. O tema da reunião era o manejo das forças armadas com as populações através da mídia e contaram com a assessoria de jornalistas do Miami Herald.

O operativo Cabañas 2001, realizado na Província de Salta (Argentina) entre 17 de agosto e 16 de setembro, contou com a participação de 1500 militares de 9 países (464 da Argentina, 574 dos EUA, 47 do Chile, e 42 militares de cada um dos seguintes países: Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai). Este operativo apresenta um aspecto grave, como é o ingresso de tropas estrangeiras ao território nacional, sem autorização do Congresso. O propósito do operativo aponta "o treinamento das Forças Armadas em um campo de batalha composto por civis, organizações não governamentais e agressores potenciais".

Adicional a isso, o governo Duhalde protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de lei para autorizar o ingresso ao país de tropas norte-americanas para realizar na Província de Misiones (nordeste, na tríplice fronteira) um "exercício combinado de operações convencionais de planejamento e execução". As tropas, que deveriam chegar em 24 de outubro de 2002, tiveram os exercícios suspensos diante da reclamação de Washington de assinar um convênio de imunidade para que seus efetivos não possam ser reclamados pela Corte Penal Internacional em caso de crimes de guerra. Um convênio nesse sentido foi assinado pelo governo Uribe, da Colômbia, em setembro deste ano.

De qualquer forma, esse tipo de operativos militares vem sendo realizados sob a direção do Comando Sul do Pentágono, mesmo sem a autorização do Congresso.

Diante desses fatos, resulta natural que a assembléia de movimentos populares do Fórum Social da Argentina tenha repudiado as manobras militares em Misiones e Cabañas, assim como repudia a "guerra infinita" de Bush, o Plano Colômbia, a militarização da América Latina, o pagamento da ilegítima dívida externa e as tentativas de anexação de nossos países através da ALCA.

Um comunicado da agência de informação Frei Tito para a América Latina informa que em um seminário internacional organizado pelo Ministério da Defesa do Paraguai por iniciativa do Comando Sul dos EUA no Yach & Gulf Club de Assunção, no qual participaram militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, EUA e Paraguai, foi acordado dar "plena autorização para que o Comando Sul coopere ativamente e dê assessoramento nas funções de segurança, defesa e desenvolvimento nos seis países do Cone Sul". Essa função seria desempenhada principalmente por marines norte-americanos, a partir de sua delegação de Lima, a mais importante na América do Sul.

O Plano Colômbia.

A presença de Uribe no governo da Colômbia liberou mais demônios e iniciativas dos chefes militares que propõem a luta contra o terrorismo na América Latina. Jornais colombianos advertem da possibilidade de um "comando militar unificado" das Américas, onde os exércitos da região se ocupariam de combater o terrorismo sob o comando dos EUA. Uma espécie de força multinacional de "deslocamento rápido". O Plano Colômbia, que ameaça a região desde 2000, fez disparar o retorno da "guerra fria" à América Latina.

Desde o Plano Colômbia, se avançou em 2001 para a "Iniciativa Andina" que tem permitido o ingresso de tropas norte-americanas na Guatemala e no Paraguai, além dos países do Cone Sul, como força multinacional para poder atuar na Colômbia, onde as guerrilhas foram qualificadas por Washington como um "mal terrorista" que tem de ser eliminado.

A presença militar dos EUA no Cone Sul complementa o esquema de bases militares norte-americanas em Manta (Equador), Três Esquinas (Colômbia), Iquitos (Peru), Aruba (Antilhas Holandesas), Panamá, Honduras, Salvador e na ilha de Vieques (Porto Rico), bem como a Escola da Selva no Equador, onde participam militares brasileiros, colombianos e equatorianos, onde são treinados em técnicas de guerra.

Finalmente, gostaríamos de convocar a todos os latino-americanos para denunciar a realização desses projetos militares para expulsar da nossa pátria não somente os marines, mas todos os representantes e sócios do imperialismo.

¿PLAN O PANTANO BÉLICO?

 

Colombia está movilizada para apoyar y rechazar el Plan. Aún no se sabe cuál será la incidencia de su ejecución en el Ecuador, pero todo hace presumir que será más grave de lo que se piensa.   

La globalización llega también por la vía de los conflictos. Los conflictos regionales. Hay uno en la mesa de debates: el Plan Colombia y la presencia del Ecuador en lo que se ha calificado como el peligro de un nuevo Vietnam. Surgen los interrogantes. 

¿Se trata de un simple operativo contra el narcotráfico? ¿Será el Ecuador solo un punto de apoyo, con una base en Manta sin otro papel que el logístico? ¿Es posible, en la Colombia azotada por enfrentamientos entrelazados, distinguir entre el combate al narcotráfico y la guerra contra las FARC? ¿Hay límites claros entre estos dos hechos? ¿Tiene sentido 'ganar' la atención del régimen norteamericano a cambio de verse envuelto en un conflicto armado regional? ¿Está listo el Ecuador para afrontar las consecuencias del Plan? Hay ya una contradicción que justifica los interrogantes. Mientras el zar antidrogas norteamericano, Barry McCaffrey, ponderó en Quito la importancia de la Base de Manta, el vicecanciller ecuatoriano, Francisco Carrión, recordó que el acuerdo con EEUU tiene dimensiones de menor perfil. 

En la actualidad, los límites de la acción se han roto por el lado de las guerrillas. Las FARC han calificado el Plan como una declaración de guerra. 

El Plan Colombia tiene una inversión inicial de aproximadamente 1 600 millones de dólares, de los que 'gotearán' al Ecuador 47 millones. El costo final podría superar los 7 000 millones. "Por lo pronto, el Ecuador tiene asignadas funciones de inteligencia y vigilancia", escribía HOY en su análisis del lunes último. Pero "el problema es mucho más complejo que el que aparece a primera vista... En esta guerra, se verán plenamente involucradas todas las fuerzas beligerantes que actúan en el interior de Colombia". 

La crisis ecuatoriana conduce a mirar como una tabla de salvación cualquier apoyo económico que venga de fuera, pero se corre el riesgo de aceptar una medicina que abra el camino a nuevas y dramáticas enfermedades. La guerra regional, por ejemplo.  

La polémica también se ha producido en Estados Unidos. Su Congreso discute ahora la propuesta del Gobierno de Bill Clinton de aumentar la ayuda antidrogas a Colombia, en medio de severos cuestionamientos de los senadores republicanos, tanto por temor a que se incremente la violación de los derechos humanos, como por miedo a verse atrapados en un Vietnam sudamericano.  

El presidente de la poderosa Comisión de Asignaciones del Senado, el senador republicano Ted Stevens, de Alaska, siguió preguntándose "¿quién intervendrá cuando esto explote?'', y pidió que le aseguraran que "esto no es Vietnam de nuevo". 
La respuesta de quienes apoyan el proyecto no se hizo esperar. El jefe del Comando Sur, Charles Wilhelm, un veterano de la guerra de Vietnam, afirmó que Colombia no será un 'pantano bélico' para EEUU. 

Incluso, en un editorial del influyente Washington Post se llamaba a comparar los costos de la participación en el conflicto colombiano con los potenciales costos de no hacer nada. (JP/JT) 

En Colombia, las ONG se movilizan para crear un observatorio del Plan 

La discusión del proyecto ha generado un amplio debate de las consecuencias y los alcances que podría tener la ejecución del Plan Colombia en ese país, según explicó a BLANCO y NEGRO Jorge Rojas, representante del Comité de la Consultoría para los Derechos Humanos y el Desplazamiento (Codhes), con sede en Bogotá. 
"Estamos trabajando para crear un observatorio de la sociedad civil sobre el Plan Colombia -afirmó- y, en especial, la ayuda militar de Estados Unidos. La idea es producir informes especializados sobre el conflicto armado (expansión, agudización en el sur del país), narcotráfico (efectos reales de la fumigación de cultivos en el tráfico de drogas), desplazamiento (impacto de la acción militar del Batallón Antinarcóticos apoyado por Estados Unidos en el éxodo de personas al sur del país), medio ambiente (impactos de la erradicación en la Amazonía) y comunidades afectadas (niveles de organización y respuesta)".  

El observatorio contaría con la participación de diversas Organizaciones No Gubernamentales (ONG) en Colombia, y tendrá la colaboración de organismos similares de los países vecinos.  

Además, se estudia la posibilidad de que una delegación de la sociedad civil de Colombia viaje a Washington para comunicar la preocupación sobre la ayuda. "Nosotros concluimos que la ayuda de Estados Unidos no resolverá el problema del narcotráfico -enfatizó-; sólo agudizarrá y trasladará los escenarios del conflicto a otras regiones de la Amazonía colombiana; ampliará la crisis humanitaria del desplazamiento forzado, afectando a países vecinos como Perú y Ecuador y, además, tendrá impactos irreversibles sobre el medio ambiente".  

En el Ecuador, por lo pronto, el presidente de la Comisión de Asuntos Internacionales, Osvaldo Molestina, calificó como riesgoso y perjudicial que el país, por las negociaciones del procurador Ramón Jiménez Carbo en Washington, intente involucrarse en un conflicto regional.   
"Si la ayuda prometida por EEUU al Ecuador forma parte del Plan Colombia estaríamos entrando en un juego peligroso", dijo el diputado. (JT)  

Entre baldazos y espaldarazos  

La ayuda a Colombia está sujeta a la Enmienda Leahy de 1997, que prohíbe la asistencia a unidades de las Fuerzas Armadas involucradas en violaciones de los derechos humanos.  

Un baldazo de agua fría le cayó al Gobierno de Andrés Pastrana cuando, el 23 de febrero, en medio de la discusión en el Senado sobre la ayuda económica al Plan Colombia, Human Rights Watch publicó un revelador informe sobre las relaciones de paramilitares y militares.  

Human Rights sostuvo que, al contrario de lo que afirma el Gobierno de Pastrana, el Ejército no ha cortado sus lazos con los paramilitares, que han asesinado impunemente a izquierdistas y simpatizantes de la guerrilla por una década.  

El informe acusó a la Brigada Tres del Ejército de entregar armas, uniformes y datos de inteligencia a un grupo paramilitar que se formó en el Valle del Cauca.   

El senador demócrata Patrick Leahy, del estado de Vermont, miembro de la Comisión de Apropiaciones, dijo que no podía apoyar el aumento de la ayuda militar a Colombia si el plan no incluía estrictas condiciones, como la garantía de que los militares que cometan abusos o ayuden a los paramilitares sean enjuiciados en tribunales civiles y no por jueces militares.  

Andrés Pastrana reaccionó anunciando el enjuiciamiento de los militares que estén involucrados en el apoyo a los paramilitares.  

Ese mismo día el Gobierno de Pastrana recibió un espaldarazo, cuando el Alto Representante para la Política Exterior y de Seguridad Común de la Unión Europea, Javier Solana, manifestó en Vilamoura, Portugal, que Europa estaba dispuesta a prestar apoyo financiero al Plan Colombia.  

La Unión Europea se plantearía financiar los proyectos relacionados con los aspectos civiles del Plan, como la sustitución de los cultivos, mientras que la parte militar sería llevada a cabo por Estados Unidos.  

Para junio está prevista la realización en Madrid de un foro de países donantes, en el cual la Unión Europea detallará el monto con el que está dispuesta a financiar el Plan Colombia elaborado por Andrés Pastrana.  

La contraloría del Congreso norteamericano, por su parte, dijo que, a pesar de los esfuerzos, no se ha reducido la oferta de drogas para los 13,5 millones de consumidores de EEUU, cuyos efectos desembocan en un costo social de 100 000 millones de dólares. (JT). 

A gaiola de ferro

Por James Petras

O neoliberalismo tem sido um grande êxito para Wall Street, mas ainda persistem na América Latina negócios sob o controle de interesses locais, algumas enfraquecidas legislações que restringem o investimento estrangeiro e, em alguns casos, regimes incapazes de pôr em prática a totalidade das políticas de Washington devido à pressão popular. Com a ALCA, esses impedimentos a um total saqueio imperial serão eliminados. O cálculos de Washington e Wall Street, entretanto, subestimam o alcance e a profundidade da emergente onda de movimentos populares massivos contra a ALCA e seu componente militar.

Da reunião ministerial realizada no mês passado em Quito, Equador, das conversas e entrevistas com executivos e banqueiros de Wall Street, com editores financeiros e funcionários governamentais em Washington, bem como da leitura de jornais de negócios e de documentos públicos, fica claro que há um quase unânime e entusiasta apoio à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Afora alguns grupos de igrejas cristãs e organizações de solidariedade com a América Latina que se opõem à ALCA, o restante dos cidadãos estadunidenses ignoram a existência da negociação comercial. Várias perguntas importantes surgem desses fatos: (1) tendo em conta o fracasso das políticas de livre mercado na América Latina nas duas décadas passadas e a crescente pobreza no México sob o NAFTA, por que há um apoio tão forte à ALCA? (2) por que é necessária a ALCA se as empresas multinacionais estadunidenses e européias tem prosperado no atual marco neoliberal? (3) como encaixa a ALCA dentro da estratégia de guerra global da administração de Bush?

 

Dos mega-ganhos à ALCA.

De 1990 a 2002, a 'era de ouro do neoliberalismo', os bancos estadunidenses e as empresas multinacionais enviaram desde América Latina 1.000 bilhões de dólares em ganhos, pagamentos de juros e direitos de autor. Além disso, cerca de 900 bilhões de dólares em 'dinheiro sujo' foram enviados pela elite latino-americana ao exterior, através de bancos estadunidenses e europeus. No mesmo período, os bancos estadunidenses e europeus compraram mais de 4 mil lucrativos e antes estatais bancos e companhias de telecomunicações, de transporte, petroleiras e mineiras, principalmente na Argentina, o México e o Brasil.

Os superávits comerciais estadunidenses com a América Latina cobriram mais de 25% do seu déficit com a Ásia ou mais de 50% com a Europa. As taxas de ganhos e juros das empresas multinacionais e bancos estadunidenses na América Latina foram duas ou três vezes superiores às taxas de ganhos dentro dos Estados Unidos. As empresas estadunidenses que se posicionaram na América Latina puderam reduzir seus custos trabalhistas em 70 a 80%. As ações estadunidenses nos mercados latino-americanos varejistas, colocadas através de subsidiárias bancárias e locais, aumentaram geometricamente, especialmente no ramo da comida rápida, shopping centers e imóveis.

Em outras palavras, as políticas de 'livre mercado' geraram resultados diametralmente opostos: para as multinacionais estadunidenses significaram os maiores ganhos e a maior presença na América Latina nos séculos XX e XXI, enquanto que para América Latina significou o pior desempenho de crescimento no mesmo período -especialmente na Argentina, no Brasil e no México-. A pobreza e a estagnação da América Latina é produto da concentração e a centralização da riqueza e da expansão dos Estados Unidos.

Do ponto de vista dos banqueiros estadunidenses, os regimes 'neoliberais' foram um grande sucesso e sua compreensão da ALCA diz que se aprofundará e prolongará os anos, literalmente 'dourados', de 1990-2002. As maciças transferências de riqueza para o norte têm socavado a acumulação e o crescimento local. A privatização tem provocado ganhos cada vez maiores e maior desemprego. A desregulamentação dos bancos tem estimulado para que se apropriem da poupança local, transfiram de forma irregular milhares de milhões de dólares de fundos ilegais da América Latina para os Estados Unidos  e cobrem as maiores taxas de juros e concedam escasso crédito para os produtores locais. Os assimétricos 'livre comércio e proteção' têm levado a que as empresas estadunidenses se apropriem do comércio varejista, as telecomunicações e os bens imóveis, e ao estabelecimento de cotas e restrições às exportações latino-americanas de bens agrícolas (cítricos, açúcar, algodão, camarão, etc.), transporte, têxteis e muitos outros produtos.

Excluindo o petróleo e os produtos de baixo valor agregado das maquiladoras estrangeiras, as exportações de América Latina, como percentagem das exportações estadunidenses, têm reduzido consideravelmente. Se essa imensa transferência de riqueza para os Estados Unidos tivesse sido investida na América Latina durante a década passada, os níveis de vida teriam aumentado 40% e os sistemas nacionais de educação e saúde se teriam melhorado substancialmente.

A conclusão é totalmente clara: o apoio estadunidense à ALCA baseia-se nos mega-ganhos das políticas de livre mercado e na crença de que a ALCA vai consolidar o marco para que os altos ganhos continuem. A desintegração das economias latino-americanas e a decadência das sociedades latino-americanas está totalmente fora do cálculo de Wall Street e de Washington, sem contar o fato de que podem desencadear sublevações populares. Em caso que isto aconteça, Washington está preparado para militarizar a região, em vez de modificar as condições da exploração.

 

A necessidade da ALCA.

A ALCA é a continuação necessária do 'livre mercado' porque estabelece uma base institucional, legal e formal para a total absorção dos recursos, da poupança, dos mercados, do comércio e das empresas latino-americanas.

Da forma como estão concebidas, as políticas econômicas da ALCA serão ditadas por uma comissão dominada pelos Estados Unidos -da mesma forma que dominou a OEA, o BID e outras organizações regionais-. As regras da ALCA serão impostas na prática por pessoal administrativo controlado pelos Estados Unidos e por alianças militares. A ALCA emerge, madura, da casca neoliberal, mas também é uma tentativa por fazer com que as políticas e estruturas regressivas se tornem 'irreversíveis'. Ao eliminar os organismos executivos e legislativos locais sujeitos à influência popular, a ALCA os substituirá com comissionados não eleitos, sob a direção do Departamento do Tesouro estadunidense e do Departamento de Comércio, quem supervisionarão e formularão as políticas para avançar na penetração estadunidense e proteger as empresas estadunidenses não competitivas, às expensas dos competidores europeus e os produtores latino-americanos.

Finalmente, as multinacionais estadunidenses vêem na ALCA um meio para restringir o acesso das competidoras multinacionais européias aos lucrativos recursos e ações do mercado latino-americano. Dado o aumento do déficit comercial estadunidense com o resto do mundo, a ALCA permitirá que haja mais superávits comerciais e facilitará a transferência para o norte de 'dinheiro sujo'.

Com o colapso e o descrédito dos regimes clientelistas neoliberais, o aumento dos movimentos populares e o cada vez maior número de governos progressistas emanados das urnas, a ALCA propõe transferir o poder da tomada de decisão dos seus desacreditados clientes locais, diretamente às mãos dos funcionários imperiais.

 

A ALCA e a estratégia de guerra.

Enquanto que os funcionários econômicos estadunidenses estão preparando as bases para o pacto da ALCA de 2005, os altos funcionários da administração Bush vão por uma trilha diferente mas paralela: a busca da conquista militar e o monopólio dos recursos estratégicos petroleiros através da guerra e da ocupação do Iraque -e das muito prováveis guerras futuras e da colonização de outros países produtores de petróleo-. A convergência entre a conquista militar, cuja meta é o petróleo, e a América Latina está nos intensos esforços por fomentar um golpe de Estado na Venezuela e em promover uma guerra total na Colômbia.

A ascensão dos militaristas da ultra-direita no regime Bush (Paul Wolfowitz, secretário adjunto da Defesa; Richard Perle, presidente do comitê do Pentágono para Políticas de Defesa; Dick Cheney, vice-presidente; Condoleezza Rice, conselheira de Segurança Nacional; Donald Rumsfeld, secretário da Defesa) significa que as políticas repressivas e de guerra têm maior prioridade que as políticas econômicas -incluindo a ALCA-. Washington assume que seus regimes clientelistas latino-americanos e seus ativos políticos entre os servis ministros do Exterior 'carregarão com a bolinha' de empurrar a ALCA. Em um sentido estratégico, os senhores da guerra estadunidenses contam com crescentes laços dos militares e a polícia secreta latino-americana (a chamada 'inteligência' e as forças de segurança) para impor al ALCA, si necessário.

Objetivamente, a ênfase do regime de Bush na conquista militar baseia-se nos atuais déficits econômicos e os futuros ganhos monopólicos que provenham do controle direto sobre o petróleo de Oriente Médio  e Venezuela. No período de 'transição', entre os atuais déficits e os futuras ganhos, para compensar, Washington se propõe espremer a América Latina. Os cálculos da Casa Branca e de Wall Street, todavia, subestimam o alcance e a profundidade da emergente onda de movimentos populares massivos contra a ALCA e seu componente militar. Enquanto Washington continua com seu projeto imperial, as massas se inquietam e os regimes clientelistas viram notas de rodapé da história. Fica ainda por resolver uma questão de tempo: Criarão os movimentos populares regimes nacionalistas e socialistas antes que os Estados Unidos possam impor sua gaiola de ferro da ALCA? Eu aposto nos movimentos populares.